Troca de reféns aliviaria tensão, diz presidente argentina

Um avanço no processo de trocahumanitária de prisioneiros entre a guerrilha Farc e o governocolombiano poderia ajudar a reduzir a tensão entre Quito,Bogotá e Caracas, disse na quinta-feira a presidente argentina,Cristina Kirchner, durante visita à Venezuela. Ela encontrou o presidente Hugo Chávez e parentes de refénsda guerrilha, num momento em que a diplomacia regional tentaesfriar a crise iniciada por uma ação militar da Colômbiacontra um acampamento das Farc em território equatoriano, o queresultou na morte do dirigente rebelde Raúl Reyes. "Uma contribuição importante para reduzir a tensão naregião seria ver se podemos realmente levar adiante essa trocahumanitária", disse Cristina depois de se reunir com YolandaPulecio, mãe da refém Ingrid Betancourt, e com a senadoracolombiana Piedad Córdoba, que atua como mediadora da questãodos reféns. Betancourt, ex-candidata a presidente, está sequestrada hámais de seis anos e sofre graves problemas de saúde. Desde o começo do ano, as Farc já libertaram seis reféns deforma unilateral, como gesto de "desagravo" a Chávez, que haviasido afastado por Bogotá das tarefas de mediação com aguerrilha. A relação de Chávez com o governo colombiano de AlvaroUribe piorou ainda mais depois do incidente do fim de semana.Em apoio ao Equador, Chávez enviou tropas à fronteira com aColômbia e rompeu relações diplomáticas com Bogotá, a exemplodo que fez Quito. As Farc pretendem trocar 40 reféns políticos por cerca de500 guerrilheiros presos, mas a guerrilha disse nesta semanaque a morte de Reyes afeta seriamente a perspectiva de acordo. A guerrilha admite que os reféns vivem sob condiçõesprecárias na selva, como revelaram cartas e fotos nos últimosmeses. Cristina Kirchner foi a Caracas assinar acordos comerciais,mas aproveitou para tratar do tema diplomático regional. Sobreos reféns, disse que "os direitos humanos estão acima de todasas coisas". Em sessão extraordinária nesta semana, a Organização dosEstados Americanos aprovou resolução em que admite ter havidoviolação da soberania do Equador e promete uma investigação. Otema deve ser tratado pelos chanceleres do grupo numa reuniãono dia 17.

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