Tiago Petinga/Efe
Tiago Petinga/Efe

Tropas americanas chegam em meio ao desespero no Haiti

População está impaciente com falta de comida e vê ação da ONU com descrença; violência pode se propagar

Associated Press,

18 de janeiro de 2010 | 08h58

Milhares de soldados norte-americanos devem chegar ao Haiti nesta segunda-feira, 18, para ajudar organizações de socorro a distribuírem alimentos e remédios aos sobreviventes do devastador terremoto, que estão cada vez mais impacientes sobre a demora do auxílio.

 

O aumento de tropas chega um dia após a eclosão de episódios de violência e saques em Porto Príncipe, que sinalizam que as entregas de água e alimento ainda são insuficientes diante da enorme demanda.

 

"Nós não precisamos de ajuda militar. O que precisamos é comida e abrigo", gritou um jovem ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante sua visita à cidade no domingo, 17. "Nós estamos morrendo", disse uma mulher, que afirmou que ela e seus cinco filhos não tinham comida.

 

"Ban Ki-moon qualificou o terremoto como "uma das crises mais sérias em várias décadas". "Os danos, a destruição e a perda de vidas simplesmente são angustiantes", disse. As orações e gritos de ajuda se ouviam entre os haitianos que já não tinham lar, no sexto dia de crise humanitária de proporções épicas que está pondo à prova a habilidade do mundo de responder à altura.

 

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A polícia haitiana se esforçava para dispersar centenas de saqueadores que os atiravam pedras no antigo bairro de Vieux Marche, o Mercado Velho. Em outras áreas do centro da capital, entre a fumaça de fogueiras para queimar cadáveres, se ouviam disparos e presenciavam homens jovens com facões nas ruas, com os rostos cobertos por lenços.

 

Uma organização de ajuda humanitária se queixava das prioridades mal calculadas e da falta de distribuição de material humanitário em um aeroporto controlado por autoridades norte-americanas. O general no comando disse que o exército dos Estados Unidos "estava trabalhando duro" para acelerar a entrega de produtos de primeira necessidade.

 

Ao lado das ruínas da catedral de Porto Príncipe, onde o sol aparecia pelas janelas quebradas, um sacerdote dizia aos haitianos durante a primeira missa dominical depois do devastador terremoto: "Estamos nas mãos de Deus, agora".

 

Porém a frustração aumentava hora após hora, assim como as queixas de lentidão na hora de entregar alimentos e água a milhões de pessoas.

 

"O governo é uma piada. A ONU é uma piada", disse Jacqueline Thermati, de 71 anos, sentada no chão, em frente a uma casa de idosos. "Estamos a um quilômetro do aeroporto e vamos morrer de fome".

 

Nas ruas, as pessoas seguiam morrendo, haitianos de joelhos rezavam suplicando ajuda, mulheres grávidas davam à luz no asfalto e feridos apareciam em carrinhos de mão ou sobre as costas de outros que corriam aos hospitais.

 

As autoridades avisaram que os saques e a violência poderiam se propagar. No bairro de Mercado Viejo, a polícia tentava de caminhão dispersar saqueadores, ao mesmo tempo que muitos entravam em lojas parcialmente destruídas agarrando qualquer coisa que viam.

 

Enquanto corria com uma enorme caixa de absorventes íntimos, Love Zedouni gritou: "Não tenho a mínima ideia do que seja isso, mas certamente pode ser vendido".

 

Agentes de política lançavam gás lacrimogêneo contra os saqueadores, forçando a multidão a correr pelas avenidas cheias de destroços.

 

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