Tropas dos EUA na Colômbia podem levar à guerra, diz Chávez

O presidente venezuelano já colocou suas tropas em alerta durante disputas diplomáticas com a Colômbia

Reuters, AP e O Estado de S. Paulo,

05 de agosto de 2009 | 16h11

O planejado aumento das tropas norte-americanas nas bases militares colombianas pode ser um passo em direção à guerra na América do Sul, disse o presidente venezuelano Hugo Chávez nesta quarta-feira, 5. Chávez já colocou suas tropas em alerta durante disputas diplomáticas com a Colômbia mas recuou em seguida.

 

Veja também:

 

Chávez acrescentou que

seu governo planeja a compra de

dezenas de tanques, porque o seu país se sente ameaçado por um

acordo militar que a Colômbia negocia com os Estados Unidos.

 

Chávez disse que "vários batalhões de tanques" poderão ser

comprados para ampliar a defesa da Venezuela. O acordo

colombiano com os EUA prevê que Washington poderá usar sete

bases militares na Colômbia.

Chávez não entrou em detalhes sobre as aquisições de tanques,

mas atualmente a Venezuela negocia a compra de armamentos e

aviões na Rússia.

A Venezuela e a Rússia já assinaram contratos para a compra de

armas no valor de US$ 4 bilhões desde 2005.

 

O acordo discutido entre Washington e Bogotá deverá permitir que as forças americanas utilizem sete e não apenas três bases militares da Colômbia, disse na terça-feira, 4, o comandante das Forças Armadas colombianas e ministro interino da Defesa, general Freddy Padilla. O anúncio foi feito em meio ao início de um giro do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pelos países da região para explicar os objetivos do acordo militar.

 

Até então, a Colômbia havia confirmado a intenção de ceder apenas três bases aos EUA: Malambo, Palanquero e Apiay. As novidades estão no anúncio das bases do Exército de Tolemaida e Larandia e das bases navais de Cartagena e Bahía Málaga. "Serão três bases aéreas, duas bases do Exército e duas bases navais", confirmou Padilla, na abertura de uma conferência sobre segurança regional, na cidade colombiana de Cartagena de Índias, da qual participam representantes de nove países, entre eles o chefe do Comando Sul dos EUA, general Douglas Fraser.

 

"É importante deixar claro que ainda não temos nenhum tipo de acordo", disse Fraser. A prudência do general deve-se à resistência que os países da região - o Brasil à frente - manifestaram à assinatura do acordo, o que obrigou tanto a Colômbia quanto os EUA a visitarem diversos países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para explicar suas intenções.

O rechaço ao acordo teve início com a Venezuela e o Equador. Ambos temem que os EUA possam, a partir das bases colombianas, lançar operações aéreas contra países vizinhos. Outros países, como o Brasil e o Chile, dizem que os assuntos militares que possam ter implicações regionais devem ser debatidos em foros amplos, como a Unasul, que se reunirá no dia 10, em Quito.

A mensagem de Uribe aos presidentes latino-americanos deve seguir o tom expressado por seu ministro interino da Defesa em Cartagena. "Ninguém, a não ser os terroristas e narcotraficantes, deve ter medo deste acordo transparente, que respeita as soberanias e os acordos internacionais", disse Padilla. Segundo ele, a colaboração com os EUA "busca simplesmente fortalecer a capacidade na luta contra esse flagelo global".

Fraser lembrou que "já existem militares americanos trabalhando em colaboração (com a Colômbia). Isso (é feito) de forma muito aberta, em coordenação com o Congresso dos EUA e vai continuar", disse. O general americano não deu detalhes sobre o tipo de material militar que seria levado a essas bases, nem explicou que tipo de avião poderia operar nestes locais. "Não tenho, neste momento, detalhes específicos sobre o tipo de material (que seria levado às bases), mas é importante ressaltar que o tipo de material que estará ali depende da Colômbia", disse Fraser.

O encontro em Cartagena contou com a presença de chefes militares da Argentina, Chile, México, Panamá, Paraguai, Peru, EUA e Uruguai, além da Colômbia, anfitriã da reunião. O chefe do Estado-Maior da Defesa do Brasil, almirante Prado Maia, não foi ao encontro. A assessoria do Ministério da Defesa também não enviou nenhum representante e informou que Maia teve de "ficar em Brasília preparando um relatório para o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), atendendo a um pedido do (ministro da Defesa, Nelson) Jobim". A assessoria do Itamaraty também diz não ter enviado nenhum diplomata a Cartagena.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEUAVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.