AP
AP

Tropas invadem prédio e prendem partidários de Zelaya

Rádio hondurenha opositora fechada pelo governo de facto retoma transmissão pela Internet

30 de setembro de 2009 | 10h17

Tropas leais ao governo de facto de Honduras detiveram nesta quarta-feira, 30, partidários do presidente deposto Manuel Zelaya. Os soldados invadiram um prédio em Tegucigalpa onde um grupo de oposicionistas se concentrava.  Apesar das restrições, uma das emissoras de rádio opositoras fechadas pelo governo de facto voltou a transmitir - pela internet, um dia depois da polícia invadir os escritórios e confiscar os equipamentos.

 

Um policial, que pediu para não ser identificado, disse que aproximadamente 40 pessoas foram detidas. O país está com algumas liberdades civis suspensas e manifestações estão proibidas desde domingo. No início da semana, o governo de facto enviou tropas para fechar a Radio Globo e a emissora de televisão que apoiam Zelaya, deposto por um golpe militar há três meses.

 

O decreto estabelece a possibilidade de retirar pessoas que ocuparem instituições públicas por causa da crise política em Honduras. "Foram desalojadas 57 pessoas. Esta ação é parte do que diz o decreto e estamos vendo se existem mais instituições tomadas", afirmou o porta-voz da polícia, delegado Orlin Cerrato. O oficial descartou novas operações nesta quarta, inclusive nas universidades públicas nas quais simpatizantes de Zelaya estão há várias noites.

 

Veja também:

linkMicheletti renuncia se Zelaya for preso, diz empresário

linkAmorim: Brasil negou avião para retorno de Zelaya a Honduras

lista Perfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

especialEspecial: Cronologia do golpe de Estado em Honduras

video TV Estadão: Ex-embaixador comenta caso Zelaya

 

A medida ainda autoriza os governistas a se manifestar, mas a oposição, não. "Enquanto o decreto estiver vigente, é preciso aplicá-lo", disse Cerrato ao Estado. O decreto prevê que seja solicitada autorização para as manifestações com 24 horas de antecedência. As dos zelayistas nunca são autorizadas. À pergunta sobre por que manifestações a favor do governo de facto são permitidas, Cerrato explicou: "Porque as manifestações a favor do ex-presidente Manuel Zelaya são violentas, desestabilizam a ordem interna. Já os que estão de acordo com o que aconteceu (o golpe), com a paz e a democracia, não são violentos." Ele diz que zelayistas queimam edifícios e veículos.

 

O dirigente camponês Rafael Alegria, um dos coordenadores da Frente Nacional de Resistência, foi à sede do instituto e disse que há em Honduras "uma ditadura, e pode acontecer qualquer coisa". "Estão desesperados, estão aplicando um decreto que é ilegal, que não foi aprovado pelo Congresso (Parlamento), este é um ato fascista", acrescentou Alegria aos jornalistas.

 

Transmissão pela web

 

Uma emissora de rádio favorável ao presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya retomou a transmissão pela Internet nesta terça-feira, um dia depois de o governo de facto de Honduras fechá-la a força. O diretor da rádio, David Romero, reivindicou uma grande audiência online, mas admitiu que a emissora não poderá manter seu alcance tradicional.

 

A comunidade internacional, incluindo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e a mídia local leal ao líder de facto Roberto Micheletti condenaram o fechamento da Radio Globo e da TV Cholusat Sur, ou canal 36.

 

"Estou profundamente preocupado com os fatos ocorridos em Honduras. O estado de emergência aumentou as tensões", disse Ban em coletiva de imprensa em Nova York. "Mais uma vez lanço um apelo pela segurança do presidente Zelaya. Exorto a todos os atores políticos que se comprometam seriamente com o diálogo e os esforços regionais de mediação." 

 

(Com Lourival San'Anna, enviado especial de O Estado de S. Paulo)

Tudo o que sabemos sobre:
Honduras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.