Túnel de resgate alcança mineiros presos no Chile

Equipes de resgate chilenas terminaram de perfurar um túnel de fuga neste sábado para retirar os 33 mineiros presos no subsolo após um desabamento dois meses atrás, desencadeando salvas e lágrimas nos parentes na superfície.

CESAR ILLIANO, REUTERS

09 de outubro de 2010 | 10h46

Os membros do resgate vibraram quando a broca rompeu os últimos centímetros de um duto de quase 625 metros, como mostrou a cobertura da TV ao vivo. Parentes dos mineiros correram para uma face da colina acima da mina acenando com bandeiras do Chile.

Ainda levará dias para içar os 33 mineiros até a superfície, um de cada vez, em cápsulas especiais com a largura dos ombros de um homem, uma das mais complexas tentativas de resgate da história da mineração.

Familiares e amigos dos mineiros, que fazem vigílias à luz de velas na mina de cobre e ouro localizada no deserto do Atacama desde o acidente do dia 5 de agosto, aguardam ansiosamente agora que o resgate se aproxima do fim.

"Meu coração está disparado!," disse Norma Lague, cujo filho Jimmy Sanchez, de 19 anos, está entre os aprisionados, em meio à crescente comoção no 'Acampamento Esperança', o conjunto de tendas que os parentes ergueram no local.

As esposas de alguns mineiros estão se dando ao trabalho de arrumar os penteados em uma tenda que se tornou um cabeleireiro improvisado, como preparação ao momento da reunião com seus maridos.

Alguns dos homens mandaram de volta para a superfície objetos de valor afetivo enviados para eles no local que eles chamam de "inferno", como cartas, crucifixos e roupas.

Os engenheiros ainda precisam decidir quanto do túnel devem forrar com tubulação de metal antes de extrair os mineiros.

Assim que o túnel de fuga estiver concluído, a retirada levará de 3 a 10 dias, disse o ministro de Minas Laurence Golborne, que liderou os esforços de resgate.

Presos há 65 dias até o momento, os mineiros estabeleceram um novo recorde de sobrevivência no subsolo após um acidente de mineração. Embora alguns tenham infecções cutâneas, estão com a saúde excepcionalmente boa.

Cecilia Morel, esposa do presidente Sebastián Piñera, viajou para o deserto para levar apoio psicológico às famílias.

"Não vamos nos apegar a uma data específica, vamos confiar nos especialistas", disse ela. "É como aguardar um parto."

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