TV argentina diz que governo vai usar soldados contra piquetes

Néstor Kirchner organiza ato nesta quinta-feira para apoiar a mulher na disputa com o setor agropecuário

Marina Guimarães, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 13h29

O governo da Argentina teria decidido usar soldados para liberar os caminhões com alimentos perecíveis, retidos nos piquetes de produtores rurais nas estradas do país, segundo a rede de TV Todo Notícias. O secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, reuniu-se com a direção do Mercado Central, onde se negocia no atacado as frutas e verduras vendidas no país, e os empresários do setor.  Veja também:Néstor Kirchner lidera ato de apoio a Cristina contra ruralistas Manifestações na Argentina terminam em confrontoInflação e corrupção estão na lista de problemas do 'casal presidencial'Governadores argentinos pedem diálogo entre campo e governoArgentina adverte que reabrirá estradas fechadas por grevistas Na reunião, Moreno e os empresários do setor mapearam os caminhões parados nos piquetes e suas respectivas cargas. A decisão é de enviar as tropas da Gendarmeria (soldados responsáveis pela segurança nas fronteiras e em casos de conflitos nas províncias) para liberar os caminhões presos nas quase 400 barreiras montadas pelos agricultores. Resistência "Se Moreno decidiu isso é bom ele enviar também as ambulâncias porque vamos resistir", reagiu o líder ruralista Alfredo D'Angelis, da cidade de Gualeyguachú, província de Entre Rios, onde está localizado o maior piquete do protesto argentino. Na rodovia 14, também chamada de rodovia do Mercosul, em Gualeychachú, centenas de caminhões estão parados há dias, em filas que se estendem por quilômetros. Neste local estaria o maior contingente de agricultores que não obedecem a entidades ruralistas. Pela segunda noite consecutiva milhares de argentinos bateram panelas na região da Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, e houve confrontos com os chamados "piqueteiros kirchneristas" - desempregados subvencionados pelo governo de Cristina Kirchner. Várias pessoas ficaram feridas após os embates. Panelaços e buzinaços contra o governo e de apoio aos produtores rurais aconteceram nos principais bairros de Buenos Aires e em diversos pontos do país. Os piqueteiros conseguiram expulsar os manifestantes da praça, mas a promessa da classe média portenha é de voltar todas as noites até que o governo a ouça. A missão dos piqueteiros foi desocupar a Praça de Maio e evitar que o protesto com panelaços e buzinaços, que começou por volta das 20 horas, aumentasse e se prolongasse. Na Casa Rosada, sede do governo federal, os ministros minimizaram o primeiro panelaço, da noite de terça-feira, e negaram que tenha sido um grande movimento. Até esta manhã, nenhuma autoridade se manifestou sobre o segundo panelaço, que também aconteceu em La Plata, Paraná, Salta, Tucumán, Santa Fe, Córdoba e outras cidades. A revolta dos produtores rurais argentinos e a reação popular da terça-feira à noite, após o duro discurso de Cristina Kirchner contra o setor agropecuário, geraram um clima de tensão no país e rejeição ao governo em apenas 100 dias de mandato presidencial Porém, a Casa Rosada não emite nenhum sinal de flexibilidade e de abertura ao diálogo com o campo. Ato Pelo contrário, para apoiar a posição da presidente, os kirchneristas farão nesta quinta-feira, às 18 horas, um grande ato público. A presidente Cristina e seu marido, Néstor Kirchner, vão presidir a solenidade organizada pelo ex-presidente. Cristina vai falar, mas até o momento não há confirmação se Néstor também discursará.  Há grande expectativa sobre o conteúdo do discurso do casal presidencial. Todos, principalmente os homens do campo, querem saber se será apaziguador ou se repetirá a mensagem inflamável do último discurso da presidente, que botou mais lenha na fogueira.

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