TV húngara entrevista suposto líder de 'complô' anti-Evo

Húngaro Eduardo Rózsa Flores, morto pela polícia boliviana, disse que lutava pela independência de Santa Cruz

BBC Brasil, BBC

22 de abril de 2009 | 11h36

A televisão da Hungria transmitiu uma gravação inédita de uma entrevista com um homem que foi morto pela polícia boliviana acusado de participar de um complô para assassinar o presidente Evo Morales. Na entrevista, o húngaro Eduardo Rózsa Flores revelou que ele lutava pela independência do Estado de Santa Cruz.

"Estamos preparados para declarar em poucos meses a independência e criar um novo país", diz Rózsa Flores na entrevista que foi ao ar na terça-feira, 21, na televisão estatal húngara MTV. Ele foi morto pela polícia boliviana no dia 16 de abril em um hotel na cidade de Santa Cruz em uma operação classificada pelo governo boliviano como "antiterrorista".

Além de Rózsa Flores - que teria nacionalidades boliviana, húngara e croata - foram mortos um cidadão irlandês e um militar romeno. Um engenheiro húngaro e um militar boliviano-croata foram presos na operação. A entrevista à televisão húngara foi concedida em setembro de 2008 ao jornalista Andras Kepes. Rózsa Flores disse ao repórter que sua entrevista só poderia ir ao ar caso "algo acontecesse com ele".

O governo boliviano afirma que os planos do grupo - que supostamente era liderado por Rózsa Flores - eram de assassinar Evo. Os governos da Irlanda, Hungria, Romênia e Croácia pediram explicações à Bolívia sobre a morte e detenção dos estrangeiros.

Na terça-feira, Evo classificou de "muito grave" o fato de alguns países defenderem o que chamou de "mercenários internacionais". "Como tal gente que vem aqui atentar contra o presidente pode ser defendida? É muito grave, eu posso pensar que foram eles então que os mandaram para cá para atentar contra a democracia", disse o boliviano.

Na entrevista, Rózsa Flores fez referência à situação política na Bolívia e revelou seus planos. "A situação vai piorando e já se teme atos violentos no país". Ele disse que "se teme que o governo ataque a província" e acrescentou que sua meta era declarar a independência de Santa Cruz "com métodos pacíficos, mas mostrando força". Santa Cruz e outros três Estados da Bolívia estão lutando por autonomia em relação ao governo federal, o que tem provocado disputa entre os governadores e o presidente Evo Morales.

Especulações

Rózsa Flores disse que teria sido chamado para "organizar a defesa da cidade e da província de Santa Cruz", mas afirmou que "isso não significa que irei à selva boliviana e serei o Che Guevara". Ele não deixou claro quem o chamou, o que tem gerado especulações na Bolívia. "Não estou indo para atacar La Paz ou organizar um ataque à capital ou para derrotar o presidente... Temos que organizar a defesa, a resistência."

Rózsa Flores tinha um histórico de participação em movimentos de direita, desde a Opus Dei a uma milícia paramilitar nos primeiros anos do conflito dos Bálcãs, nos anos 90. A oposição da Bolívia negou qualquer vínculo com o suposto complô contra Evo. Autoridades do Estado de Santa Cruz também disseram que não têm nenhuma relação com o grupo.

Os líderes da direita boliviana pediram uma investigação internacional sobre a morte dos três estrangeiros. "Censuramos a tendenciosa atitude das altas autoridades nacionais de tentar vincular os líderes institucionais de Santa Cruz a estes atos de violência", disse o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas. O governo boliviano reforçou a segurança de Evo Morales e do vice-presidente, Álvaro García Linera.

 

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