UE diz estar pronta para descongelar laços com Cuba

Países do bloco apostam em transição democrática e aplicação de reformas por Raúl após renúncia de Fidel

Agências internacionais,

19 de fevereiro de 2008 | 08h56

Após Fidel Castro anunciar sua aposentadoria, a União Européia afirmou nesta terça-feira, 19, que está pronta para buscar formas de retomar os laços com Cuba, interrompidos sob o governo do líder de 81 anos.   Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia Saída de Fidel é início de democracia, diz Bush Renúncia não retira caráter de mito, diz Lula Tarso diz que decisão de Fidel foi madura Minha gratidão não tem limites, diz Dirceu Embargo dos EUA a Cuba continua sem Fidel Anúncio de renúncia não empolga exilados Raúl Castro torna-se guardião da revolução Fidel volta a citar Niemeyer na renúncia Leia frases que marcaram os discursos de Fidel Artigo publicado no Granma (em português) Artigo publicado no Granma (em espanhol) Cronologia cubana desde a revolução  De filho de latifundiário a inimigo dos EUA  A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   'Dificilmente ele deixará de influenciar'  Você acha que o regime em Cuba mudará?   Fidel Castro: herói ou vilão?    As relações entre a UE e Cuba azedaram em 2003, quando Bruxelas congelou contatos diplomáticos após Havana prender 75 dissidentes, entre os quais muitos dos que tinham sido convidados para recepções em embaixadas européias para comemorar o Dia Nacional. "Reiteramos nosso desejo de nos comprometermos com Cuba sobre um diálogo construtivo", disse um porta-voz do Comissário de Desenvolvimento da UE, Louis Michel. Ele acrescentou que Michel planeja visitar a ilha em 6 e 7 de março. O porta-voz afirmou ainda que a UE preferiu não comentar a decisão de Fidel. Separadamente, uma porta-voz da Eslovênia, presidente da UE, disse que o bloco continua querendo "sondar possibilidades para retomar o diálogo político com Cuba".   Transição democrática   O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, expressou o seu desejo de que a renúncia de Fidel leve Cuba rumo a uma transição "pacifica e rápida", que beneficie todos os cubanos. Instantes antes de viajar ao Kosovo, o chefe da diplomacia européia disse aos jornalistas que "qualquer decisão encaminhada para um processo de transição democrática e pacífica deve nos alegrar". No entanto, advertiu que "qualquer análise detalhada é prematura", e "é cedo para fazer uma avaliação mais detalhada".   Segundo o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, o Reino Unido considera que a renúncia de Fidel pode ser vista como uma oportunidade para avançar na criação de uma democracia pluralista e pacífica", mas assinalou que este "são assuntos que competem ao povo cubano."   A renúncia do presidente cubano pode representar o início de uma nova era nas relações de Cuba com o mundo, ressaltou o presidente da comissão multipartidária do Parlamento britânico para Havana, Ian Gibson. Em entrevista a veículos de comunicação britânicos, Gibson - deputado do Partido Trabalhista - disse que a renúncia do líder cubano era inevitável por causa de seu delicado estado de saúde, mas ressaltou que há pela frente "momentos interessantes" em Cuba.   Apesar de não esperar o fim do embargo dos Estados Unidos à ilha, ele indicou que pode haver uma abertura nas relações de Cuba com o resto do mundo. "Acho que o espírito se manterá nas gerações mais jovens de cubanos, mas acredito certamente que haverá diferenças nas relações com outros países", insistiu. "Cuba entende que agora há uma economia global. Acho que haverá menos medo em direção aos Estados Unidos e mais interação com a Europa", disse Gibson.   O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, disse nesta terça-feira que "espera que o país siga pelo caminho da democracia". "Não podemos fazer mais do que desejar que esse país siga pelo caminho da democracia", declarou Jouyet, em entrevista à emissora de rádio francesa Europe 1. Em uma primeira reação à informação de que Fidel Castro renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe de Cuba, o secretário francês afirmou que "o castrismo foi um símbolo de totalitarismo".   Para a secretária de Estado espanhola para a Região Ibero-Americana, Trinidad Jiménez, o anúncio poderia representar a materialização das reformas anunciadas nos últimos meses por seu irmão Raúl, a quem cedeu o poder há mais de um ano. "O fato de que renuncie formalmente à Presidência pode marcar o início de um momento no qual (Raúl) poderá assumir com maior capacidade, solidez e confiança esse processo de reformas do qual ele mesmo já falou, e que agora pode começar a se materializar", disse Jiménez.   Direitos humanos   A situação dos presos políticos em Cuba também foi alvo de reações. Para Bush, a saída de Castro do poder deve levar à libertação dos presos políticos que se opõem ao regime comunista. "São pessoas que foram colocadas na prisão porque ousaram falar o que pensam", declarou Bush, acrescentando que "os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a conseguir sua liberdade".   Segundo a BBC, a organização humanitária Anistia Internacional pediu que o sucessor de Fidel Castro liberte "incondicionalmente" os prisioneiros políticos em Cuba, mas procurou se distanciar da linha americano criticando medidas de restrição econômica, como o embargo americano que vigora desde 1962.   "As reformas em Cuba devem começar com a libertação incondicional de todos os prisioneiros de consciência, a revisão judicial de todas as sentenças ditadas por julgamentos ilegítimos, a abolição da pena de morte, e a introdução de medidas para assegurar o respeito às liberdades fundamentais e a independência do Judiciário", disse o comunicado da Anistia Internacional. Em outro trecho, a ONG se opõe ao embargo econômico americano, afirmando que a restrição "também inflige danos aos direitos humanos dos cubanos".

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