UE se oferece para mediar saída para crise na Bolívia

Conflito no país já deixou oito mortos e provocou a interrupção do fornecimento de gás para o Brasil

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 09h57

A União Européia (UE) pediu nesta sexta-feira, 12, às autoridades bolivianas e aos líderes de oposição que entrem rapidamente em ação para dissolver a tensão política no país, que gerou violentos protestos, e ofereceu-se para mediar o impasse. O bloco de 27 nações denunciou a violência nas províncias do país governadas por políticos de oposição ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Na quinta, pelo menos oito pessoas morreram em confrontos ocorridos em Pando, no norte do país. O Brasil mobilizou uma equipe de mediação liderada pelo assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que ainda não partiu para a Bolívia.   Veja também: EUA expulsam embaixador da Bolívia Chávez expulsa embaixador dos EUA da Venezuela Conflito deixa 8 mortos e Evo diz que 'paciência tem limite' Lula expressa apoio a Evo diante da crise na Bolívia Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Numa declaração divulgada nesta sexta em Bruxelas, a UE conclama "todas as partes e adotarem medidas para o rápido estabelecimento" de negociações para impedir que a situação piore. A UE ofereceu-se para mediar uma saída para a crise e lamentou que alguns de seus projetos de ajuda tenham sido atacados pelos manifestantes de oposição a Evo. Esses projetos, afirma a UE, têm como objetivo ajudar a parcela mais pobre da população.   Na quinta, no dia mais violento da recente onda de protestos na Bolívia, pelo menos 8 partidários do presidente Evo Morales morreram e 34 ficaram feridos num confronto com opositores no Departamento (Estado) de Pando, no norte do país. O choque ocorreu quando os governistas, quase todos camponeses, tentaram romper um bloqueio de estrada promovido por partidários do governador do departamento, Leopoldo Fernández, feroz opositor de Evo.   "Estamos falando de um verdadeiro massacre que tem como responsável o governador de Pando", declarou o vice-ministro de Coordenação de Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, ao confirmar a cifra de mortos. Segundo Llorenti, outros 30 camponeses foram levados pelos opositores a Cobija, capital departamental, e feitos "reféns" na sede do Comitê Cívico de Pando. Horas antes, Evo afirmou que seu governo defenderá a democracia sem responder à violência, mas advertiu que "paciência tem limites".   O aumento na violência ocorreu no mesmo dia em que a Bolívia suspendeu por mais de seis horas o envio de 50% das exportações de gás natural para o Brasil. A distribuição foi retomada após a empresa Transierra - responsável pelo gasoduto que transporta a maior parte do produto para o País - trocar uma válvula que havia sido fechada por grupos opositores. Por causa dos protestos, a distribuição de gás para a Argentina também foi prejudicada. A oposição também tentou sabotar o envio de gás para a região do Altiplano, incluindo La Paz.   Fontes da oposição, no entanto, atribuíram as mortes em Pando a partidários do governo de Evo. "Estamos sendo massacrados porque a selva amazônica se converteu em um santuário de guerrilheiros", afirmou Ruddy Atiare, diretor nacional dos seringueiros de Pando, que faz oposição ao governo central. Num ato público em La Paz, Evo acusou os opositores de promoverem o "terrorismo" e de buscarem "uma resposta radical" por parte de La Paz.   O presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Blanco Marinkovic, afirmou que a oposição deve decidir nos próximos dias o que fará a respeito dos mais de dez prédios ocupados na cidade. Ele, porém, acusou o governo de infiltrar militares entre os grupos de opositores para provocar violência.   Com Renata Miranda, de O Estado de S. Paulo

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