Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Último ditador argentino é condenado a 25 anos de prisão

Reynaldo Bignone foi considerado culpado por sequestro, torturas e assassinatos de civis

20 de abril de 2010 | 18h36

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo

 

BUENOS AIRES- O general Reynaldo Benito Bignone, último presidente de fato da ditadura argentina (1976-83), foi condenado nesta terça-feira, 20, a 25 anos de prisão pelos crimes de roubos armados, sequestros prolongados com violências de 29 pessoas, além de torturas a outros 38 civis durante o regime militar no Campo de Mayo, o maior complexo de detenção e torturas dos anos 70 no país.

 

O veredicto foi anunciado no tribunal oral da cidade de San Martín, na Grande Buenos Aires. O tribunal determinou que Bignone não desfrutará da prisão domiciliar, já que terá que ir à uma penitenciária comum.

 

"Falam nesse tal número de 30 mil desaparecidos...mas nunca demonstraram que foram mais de 8 mil", disse Bignone, antes de ouvir a sentença. Na sequência, negou os sequestros de bebês, filhos das desaparecidas: "falam em 500 roubos de bebês, mas não chegam a 30 e nenhum deles foi cometido por militares".

 

O ex-ditador tentou mostrar a repressão exercida durante o regime como um evento épico, ao exclamar: "A luta contra o terrorismo nos anos 60 e 70 na Argentina foi uma guerra!".

 

Além de Bignone, foram condenados outros cinco altos oficiais militares e um delegado de polícia por crimes cometidos em Campo de Mayo, o maior complexo clandestino de detenção da ditadura.

 

Dentro do perímetro de Campo de Mayo funcionavam quatro centros de tortura e uma maternidade clandestina, onde davam à luz as prisioneiras. Após o parto, as mães eram assassinadas, enquanto os bebês eram entregues a famílias de militares ou policiais sem filhos.

 

Bignone, uma das principais figuras do golpe de 1976, governou a Argentina entre o fim da guerra das Malvinas, em junho de 1982 e a volta da democracia, em dezembro de 1983. Em 1985 foi julgado e condenado à prisão. No entanto, em 1990 foi indultado pelo então presidente Carlos Menem (1989-99).

 

Em 1999 foi detido graças à uma brecha no indulto, que não contemplava o perdão pelo sequestro de crianças. Em 2004, com a revogação das Leis de Perdão no Parlamento - e a confirmação dessa medida na Corte Suprema em 2007 - novos processos foram abertos contra Bignone. Em janeiro do ano passado foi novamente ao banco dos réus pela acusação de sequestro, torturas e assassinatos de civis realizados em Campo de Mayo.

 

Em 1983, poucos meses antes da volta à democracia, Bignone ordenou a eliminação dos arquivos da repressão da ditadura, principalmente aqueles que indicavam o paradeiro dos corpos dos prisioneiros políticos.

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