Um ano após terremoto, reconstrução turbina economia do Chile

Governo diz ter concluído 50% dos trabalhos de recuperação; prejuízos foram de US$ 30 bilhões

Reuters

25 de fevereiro de 2011 | 17h24

Imagem de edifício destruído no tremor de fevereiro de 2010.

 

SANTIAGO - Um ano depois de ser abalado por um dos maiores terremotos da história, que causou um prejuízo aproximado de US$ 30 bilhões, o Chile realiza um programa de reconstrução que está alimentando uma forte recuperação da economia.

 

O governo diz ter concluído 50% dos trabalhos, e a produção de madeira, vinho e frutas já se recuperou. O setor do cobre - o país tem a maior produção mundial - deve crescer 6% neste ano, graças à elevada cotação do metal no mercado global. Embora tremores secundários continuem sacudindo o país e servindo de lembrança da tragédia, os maiores riscos econômicos atualmente parecem ser a excessiva valorização do peso e as pressões inflacionárias.

 

"O impacto da reconstrução sobre o crescimento está se tornando mais forte com o passar do tempo", disse o ministro das Finanças, Felipe Larrain, que financiou um pacote de 8,4 bilhões de dólares para a reconstrução com uma mistura de emissão de títulos públicos, elevação dos royalties sobre a mineração e reservas acumuladas das exportações de cobre. Larrain atribui parte do crescimento expressivo previsto para este ano à base baixa de comparação, já que só no primeiro trimestre de 2010 o Chile deixou para trás a recessão causada pela crise financeira global.

O terremoto de magnitude 8,8, que junto com um tsunami devastou o centro-sul do país e deixou mais de 500 mortos em 27 de fevereiro do ano passado, aconteceu poucos dias antes da posse do presidente Sebastián Piñera, o que o obrigou a rever suas prioridades e a focar na reconstrução.

Depois do terremoto, o governo e o Banco Central reduziram as perspectivas de crescimento em 0,25 a 0,5 ponto percentual. Mas o índice acabou encerrando o ano com uma alta de 5,2%, dentro das previsões iniciais. Na economia real, no entanto, os sobreviventes do terremoto ainda têm dificuldades.

O pescador José Recabal, 46 anos, viu sua renda despencar porque o turismo ainda não se recuperou totalmente na localidade de Curanipe, onde ele vive. Assim, precisa vender sua produção para restaurantes, que pagam menos que os turistas. Ele e outros moradores de Curanipe, a 60 quilômetros do epicentro do tremor, estão contentes com o ritmo da reconstrução, mas preocupados com a ausência de turistas, "que é o que move a economia local." "Sem pesca, a cidade morre", disse ele.

O governo diz já ter reparado 1.500 quilômetros de estradas, e reconstruído 200 pontes, além de portos e aeroportos. Mas ainda faltam dezenas de milhares de casas e vários grandes hospitais. "O dano à economia foi muitíssimo brando. Não deixou uma cicatriz permanente", disse Alberto Ramos, economista-sênior do Goldman Sachs, em Nova York.

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