Unasul debate na Argentina acordo militar de Colômbia e EUA

Presidente colombiano quer debate na cúpula sul-americana também sobre corrida armamentista na região

Efe,

27 de agosto de 2009 | 16h19

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) realiza nesta sexta-feira, 28, em Bariloche (Argentina), uma reunião especial para discutir o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, motivo de divergência na região e responsável por impedir um pronunciamento conjunto na cúpula passada. O acordo para que os EUA utilizem até sete bases colombianas foi recebido com respeito, mas também com preocupação por Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, foi apoiado pelo Peru e enfrenta oposição firme de Venezuela, Equador e Bolívia.

 

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O presidente colombiano, Álvaro Uribe, participa do encontro para explicar o acordo. O chefe de Estado, porém, também quer que sejam discutidos na reunião outros pactos similares assinados na América Latina, assim como a corrida armamentista de alguns países vizinhos.

 

O acordo entre Bogotá e Washington, que permite a soldados e assessores americanos terem acesso a sete bases militares em solo colombiano para operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo, concluiu sua fase de negociação em 14 de agosto e está à espera da assinatura final dos dois governos. Uribe confirmou a presença na cúpula, mas a condicionou a que também sejam discutidos outros acordos de cooperação militar que alguns países têm com nações de fora da região.

 

"Não vamos à Argentina para consultar sobre nada; o acordo já foi fechado", disse recentemente o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, ao acrescentar que temas como o "armamentismo de certos vizinhos e o terrorismo" também devem estar na agenda da cúpula.

 

Analistas consultados pela Agência Efe disseram que durante a última reunião do grupo, em Quito, não houve um consenso para rejeitar o acordo entre Bogotá e Washington, em parte por causa da viagem que Uribe fez nos dias anteriores a sete países sul-americanos, entre eles o Brasil, para explicar o convênio. "As explicações que o presidente colombiano deu sobre os alcances, os objetivos e a operação do acordo de cooperação com os EUA eliminaram muitas dúvidas e isso foi refletido na falta de consenso para condenar o acordo", ressaltou o diretor da Fundação Segurança e Democracia, Alfredo Rangel.

 

Hugo Chávez criticou em várias ocasiões o acordo e anunciou neste domingo que levará à cúpula da Unasul um relatório militar americano com o qual poderá desarmar "as mentiras" que o governo colombiano poderia apresentar. O presidente venezuelano insistiu que um dos objetivos dessas bases é "aproximar" a Venezuela e, em última instância, controlar a faixa petrolífera do Orinoco, a maior reserva de hidrocarbonetos do mundo, e as reservas hídricas amazônicas.

 

Chávez e os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales, são os mais críticos ao acordo, que também é criticado pela Argentina e pelo Brasil. Já Chile, Paraguai, Peru e Uruguai manifestaram seu respeito ao convênio militar entre Colômbia e EUA. Consciente da oposição regional ao acordo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou na semana passada que "não diz respeito" a outros países e indicou que tem um "claro reconhecimento da soberania e integridade territorial" da Colômbia.

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