Unasul deve achar respostas conjuntas para segurança, diz Lula

Segundo presidente, impasses no bloco sobre acordo dos EUA e Colômbia são "mais de forma que de conteúdo"

Efe e ANSA,

21 de agosto de 2009 | 10h52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que as diferenças na União de Nações Sul-americanas (Unasul) "são mais de modo do que de conteúdo", diz em entrevista publicada nesta sexta-feira, 21, pelo jornal boliviano La Razón.

 

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"Precisamos encontrar respostas conjuntas e coordenadas aos desafios de segurança da região, começando pelo combate ao narcotráfico e ao crime organizado. (...) É por essa razão que os líderes da Unasul vão se reunir dia 28 em Bariloche, Argentina. (...) Precisamos abandonar o velho hábito de esperar respostar de fora ou simplesmente fingir que os problemas não existem", disse o presidente ao jornal.

 

"Nossos objetivos fundamentais são compatíveis e, ao mesmo tempo, convergentes", disse o presidente brasileiro, que, no entanto, acredita na necessidade de encontrar no bloco "respostas conjuntas e coordenadas aos desafios de segurança da região, começando pelo combate ao narcotráfico e ao crime organizado".

 

As declarações de Lula são direcionadas à polêmica gerada em torno do acordo sobre bases militares entre os EUA e a Colômbia, considerado uma ameaça por alguns dos países sul-americanos. Após a reunião da Unasul em Quito, no Equador, um novo encontro foi marcado para o próximo dia 28, em Bariloche, na Argentina, para tratar do assunto, no qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá exigir garantias dos governos da Colômbia e dos EUA de que o acordo não será uma "ameaça" à América Latina.

 

"Queremos ter certeza e garantias dos americanos e dos colombianos de que as bases não servirão para agredir nenhum de nós, como já fizeram em diferentes ocasiões em todo o planeta", afirmou. "Sabemos do que os EUA e suas bases militares são capazes, isso está na história", completou.

 

Junto à Bolívia e ao Equador, a Venezuela acusa os Estados Unidos de utilizarem o narcotráfico e o terrorismo na Colômbia como desculpa para "dominar" a região. O presidente boliviano, Evo Morales, por exemplo, já se mostrou contrário à presença de militares americanos na região. Brasil e Argentina, por outro lado, afirmaram respeitar a soberania colombiana, ao mesmo tempo em que expressaram "preocupação".

 

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse, porém, que não tratará do assunto na reunião da Unasul por considerar que é o tratado que compete exclusivamente aos dois países envolvidos. Conforme disse à imprensa, o chanceler afirma que atualmente a Colômbia e os EUAfazem os ajustes legais do caso, cumprindo os tramites de cada parte. "Ambas as nações vão seguir à frente com isso", afirmou.

 

Bermúdez lembrou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, mostrou sua vontade de ir à reunião e já informou que seu governo não está disposto a frear o tratado. Para o chanceler, as discussões na Unasul têm que abordar todas as áreas, como terrorismo, armas e outros acordos de cooperação de países da região com outras nações.

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