Unasul não tolerará situação como de Honduras no Equador, diz chanceler

Segundo Héctor Timerman, presidentes do órgão tentarão entrar em contato com Correa para o apoiarem

Efe,

30 de setembro de 2010 | 22h38

BUENOS AIRES- O chanceler argentino, Héctor Timerman, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a situação vivida pelo Equador constitui uma "ameaça" para a democracia na América Latina e advertiu que a União de Nações Sul-americanas (Unasul) não tolerará que se repitam golpes como o que derrubou o governo de Manuel Zelaya em Honduras.

 

A rebelião contra o presidente Rafael Correa "é uma ameaça para a democracia na América Latina e para os povos latino-americanos e não vamos deixá-la passar. Vamos estabelecer que o limite é Honduras", disse o diplomata.

 

Os protestos de policiais e militares devido a uma redução de seus benefícios salariais colocaram em xeque o governo de Quito, que decretou o estado de exceção e denunciou uma tentativa de golpe de Estado.

 

Correa está refugiado em um hospital policial após ter ferido uma perna e ter sido atingido por gases lacrimogêneos quando tentava dialogar com manifestantes que tomaram um dos maiores quartéis do país.

 

A Unasul convocou uma reunião de emergência dos presidentes que ainda acontecerá nesta noite com o objetivo de impedir "estabelecer uma estratégia para impedir que derrubem o presidente Correa e trabalhar junto a ele".

 

O chanceler adiantou que durante a reunião de Buenos Aires os presidentes tentarão entrar em contato telefônico com Correa para expressarem seu apoio e solidariedade e disse que os membros do órgão estão dispostos a viajar ao Equador nas próximas horas, se necessário.

 

"Temos que garantir que as instituições democráticas na América Latina não permitam o que sucedeu em Honduras no Equador", insistiu.

 

A reunião de Buenos Aires foi convocada pela presidente argentina, Cristina Kirchner, e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, secretário-geral da Unasul.

 

O encontro contará com a presença do uruguaio José Mujica, o primeiro a chegar à capital argentina, e seus colegas Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Alan García (Peru), Juan Manuel Santos (Colômbia) e Sebastián Piñera (Chile).

 

As grandes ausências serão Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou o ministro interino de Relações Exteriores em seu lugar devido a reta final da campanha eleitoral, e o paraguaio Fernando Lugo, que está hospitalizado após apresentar um quadro alérgico.

 

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