Unasul se reunirá na quinta para debater crise entre Bogotá e Caracas

Organização tentará mediar conflito gerado após rompimento de relações anunciado por Chávez

Efe e BBC,

24 de julho de 2010 | 17h55

QUITO- O Conselho de Chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul) se reunirá na próxima quinta-feira, em Quito, para debater a situação da ruptura de relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, informou neste sábado, 24, uma fonte da Chancelaria equatoriana.

 

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Agustín Armas, assessor de comunicação da Chancelaria, confirmou à agência Efe que, além disso, a reunião será realizada para analisar mecanismos para fomentar "o diálogo e a paz" na região.

 

"A reunião será na quinta-feira", disse Armas, que depois comentou que o presidente do Equador e líder de turno da Unasul, Rafael Correa, falou sobre a "possibilidade" de uma reunião de governantes. Porém, segundo ele, "essa é uma decisão que vai ser discutida primeiro pelas chancelarias".

 

Armas afirmou que a reunião de quinta-feira girará em torno da situação entre a Venezuela e a Colômbia, assim como o estudo de mecanismos para fortalecer o diálogo e a paz na região.

 

Deste modo, a Unasul atende ao pedido do governo da Venezuela, que na quinta-feira, por escrito, solicitou ao Equador um encontro de autoridades do organismo para analisar a situação após a crise diplomática com a Colômbia.

 

A Venezuela rompeu na quinta-feira suas relações diplomáticas com a Colômbia "diante da gravidade" de denúncias apresentadas em uma sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo embaixador colombiano sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

 

Luis Hoyos, embaixador colombiano na OEA, afirmou que há pelo menos 87 acampamentos guerrilheiros consolidados na Venezuela e cerca de 1,5 mil rebeldes.

 

Mediação

 

Logo após anunciar a ruptura de relações, Chávez começou a articular com os presidentes sul-americanos a mediação do bloco. O presidente venezuelano conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que disse estar "preocupado" com a ruptura - e com outros líderes da região em busca de apoio.

 

Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, o governo brasileiro "vê com bons olhos" a participação da Unasul na intermediação do diálogo entre Colômbia e Venezuela.

 

A avaliação é de que o grupo, criado por uma iniciativa do Brasil, "está mais próximo à realidade regional" do que outros fóruns, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), que inclui ainda América Central, além de México, Estados Unidos e Canadá.

 

A estratégia do governo brasileiro tem sido a de atuar nos bastidores, evitando assim qualquer comentário mais contundente sobre a disputa diplomática. O objetivo é ganhar tempo até que o presidente Lula fale pessoalmente com Chávez e com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em uma viagem que já estava programada para os dias 6 e 7 de agosto.

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