Uribe aceita criação de 'zona de encontro' com as Farc

Acordo humanitário visa libertar seqüestrados pela guerrilha e negociar paz dentro de 90 dias

Efe,

02 de agosto de 2007 | 16h05

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, anunciou nesta quinta-feira, 2, que aceita o estabelecimento de uma "zona de encontro" provisória para definir um acordo humanitário que tenha como resultado a libertação dos seqüestrados pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).    Veja Também Paramilitares ingeriam sangue e carne humana  "Caso as Farc aceitem libertar os seqüestrados, com a mediação da comunidade internacional, o governo aceitará a criação de uma zona de encontro, para negociar a paz com o grupo em 90 dias", disse Uribe. Uribe acrescentou que "aqui há firmeza, mas as portas da paz não estão fechadas". "O governo está disposto a libertar guerrilheiros se os seqüestrados forem libertados". Porém, nem todos seriam libertados, e haveria a "condição de que não se reincorporem ao assassinato nem ao seqüestro". Uribe fez os anúncios ao responder a perguntas de pessoas que foram à Praça de Bolívar para presenciar seu encontro com o professor Gustavo Moncayo, que encerrou na quarta-feira em Bogotá uma marcha pela libertação de um filho seu, o cabo do Exército Pablo Emilio Moncayo, e de todos os reféns das Farc. O cabo está em cativeiro há quase dez anos. O presidente, que compareceu à Praça de Bolívar acompanhado por alguns ministros, foi interrompido pelas vaias de alguns dos presentes. Ele os convidou a subir no palco e relatar sua inconformidade com a situação. Moncayo, professor de Ciências Sociais, caminhou mais de 850 quilômetros durante 46 dias, de Sandoná, no departamento de Nariño (sudoeste), até Bogotá (centro), para reivindicar um acordo humanitário que conduza à liberdade de seu filho e dos demais reféns. No grupo de 45 seqüestrados que podem ser trocados por guerrilheiros presos estão a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, além de outros políticos, militares, policiais e três americanos. Moncayo encerrou sua marcha na quarta-feira, quando chegou a Bogotá e se instalou em uma barraca montada na Praça de Bolívar, vizinha às sedes dos três poderes do Estado. Ele anunciou que permanecerá ali "até que se alcance o acordo humanitário" O porta-voz das Farc, Raúl Reyes, havia dito que o grupo mantém "imutável" a proposta sobre a troca de prisioneiros por pessoas seqüestradas pela guerrilha. Em entrevista publicada na última quarta-feira, Reyes afirma que a Colômbia é "um narco-Estado, uma narco-economia, e que também existe uma hipocrisia muito grande em sua classe política". Com relação aos reféns disse que "a proposta da troca de prisioneiros, que é mantida imutável, tem o objetivo de solucionar um dos fatores derivados do conflito". Após afirmar que a Colômbia "sofre com um conflito econômico, político, social e armado que nenhum governo quis resolver", Reyes disse que "a possibilidade de assinar o acordo de libertação dos prisioneiros pelas duas partes pode ser também a porta de entrada para o reinício dos diálogos de paz". Ele afirmou que "não é a paz da rendição" à qual se refere. Para o "acordo humanitário", que prevê a libertação dos reféns da guerrilha, as Farc exigem a desocupação dos municípios de Pradera e Florida, no departamento (estado) de Valle del Cauca (no sudoeste do país) pelas tropas oficiais, medida à qual o Governo do presidente Álvaro Uribe se opõe. Onze deputados regionais colombianos seqüestrados pelas Farc foram assassinados em junho, levando a 45, segundo a guerrilha, o número de reféns passíveis de troca, pelos quais reivindica a libertação de cerca de 500 guerrilheiros presos na Colômbia e fora do país. Pouco antes do assassinato dos deputados, o governo colombiano libertou voluntariamente 131 ex-combatentes, entre eles Rodrigo Granda, tido como "chanceler" das Farc.

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