Uribe aceita negociar com indígenas, diz líder de marcha

Dez mil pessoas seguem para Cali em ato por terras e em protesto contra a violência ao grupo étnico

Agências internacionais,

24 de outubro de 2008 | 08h59

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, se reunirá no domingo com os milhares de indígenas que avançam em uma marcha pelo país pedindo terras e em protesto contra a violência, anunciaram porta-vozes do grupo. A notícia do encontro surgiu um dia depois do presidente admitir que a polícia disparou contra a marcha de 10 mil indígenas. Uribe teria informado a decisão de negociar durante telefonema ao líder das comunidades, Daniel Piñacué. Segundo o representante, o presidente estará em Cali, destino da marcha, para reunir-se com todos os indígenas, camponeses e afrodescendentes. Uribe - que inicialmente negava que a polícia tivesse disparado contra os manifestantes - fez a admissão depois de ver as imagens veiculadas pela rede de televisão americana CNN que mostram um homem de máscara negra e uniforme verde-oliva disparando três vezes um fuzil modelo M-16, em meio a um grupo de policiais com equipamentos antidistúrbio. Embora o presidente colombiano tenha confirmado os disparos, ele continua negando que a polícia esteja envolvida nas mortes. O comandante das operações confirmou que este tipo de arma não pode ser carregada com balas de borracha.  A marcha indígena ganhou o apoio de uma das principais centrais sindicais do país, a CUT, que decretou greve deixando 10 milhões de estudantes sem aulas e a interrompendo outros serviços por 24 horas em todo o país. No mesmo dia, seis explosões simultâneas provocaram ferimentos em 16 pessoas na capital, Bogotá, enquanto outras seis bombas caseiras feitas com botijões de gás eram desarmadas no trajeto por onde a marcha indígena deveria passar, na Rodovia Pan-Americana, que liga o sudoeste ao centro da Colômbia. Um ônibus foi incendiado na capital e diversos carros e prédios da Universidade Nacional foram danificados durante confrontos entre policiais e estudantes que chegaram a usar coquetéis molotov e lança-granadas artesanais, feitos com tubos de PVC. A adesão dos trabalhadores urbanos filiados à CUT deu novo fôlego aos indígenas, que, se recusaram a desviar o trajeto da marcha para Popayán, onde Uribe estará no domingo, acompanhado de ministros, à espera de um possível diálogo que possa pôr fim às manifestações e choques. Os líderes da marcha pretendem chegar a Cali, reunindo 20 mil indígenas, entre eles, o presidente boliviano, Evo Morales que, segundo eles, confirmou presença.

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