Uribe admite que polícia atirou durante manifestação indígena

Grupo afirma que 2 morreram por tiros em marcha por terras; presidente reitera que explosão causou mortes

Agências internacionais,

23 de outubro de 2008 | 09h20

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu na quarta-feira, 22, que um policial atirou contra manifestantes nos confusos incidentes protagonizados por indígenas no sudoeste do país, mas rejeitou que os tiros tivessem matado qualquer nativo. Duas pessoas morreram durante a grande marcha indígena, e os nativos afirmam que seus companheiros perderam a vida por causa dos disparos da polícia, mas as autoridades afirmam que as mortes foram provocadas pela explosão de um artefato artesanal.   A marcha de 20 mil indígenas pedindo terras e em protesto contra a violência recebeu o apoio de funcionários públicos e sindicatos, que marcaram para esta quinta uma greve de 24 horas. Também em apoio à marcha, estudantes bloquearam várias ruas de Bogotá. A manifestação indígena, porém, ficou paralisada depois que dois líderes morreram na terça-feira, em confrontos. "A polícia realmente disparou (...) mas os indígenas que morreram, perderam a vida, com foi atestado pelo Instituto Médico Legal, por causa dos explosivos detonados pelos terroristas infiltrados nas manifestações", disse Uribe.   Uribe disse que o policial que disparou a arma admitiu a seus superiores, mas alegou que atirou para o ar, para dissuadir manifestantes que lhes atiravam artefatos explosivos de baixo poder de destruição. A declaração do governante foi motivada por um vídeo amador divulgado pela CNN no qual um policial disparou durante as manifestações contra um alvo que não é identificado na gravação.   Cerca de 10 mil indígenas partiram na terça do departamento do Cauca em direção a Cali, no Valle del Cauca, em protesto contra os crimes contra as minorias étnicas e para reivindicar suas terras ancestrais. A "Marcha pela dignidade dos povos" começou na terça após o fracasso do diálogo do governo do presidente Álvaro Uribe para o cumprimento de uma velha promessa eleitoral. Desde os anos 1990, o governo colombiano afirma que concederá as terras aos povos indígenas do país. O grupo ainda protesta pela violência contra as comunidades - eles afirmam que desde que Uribe foi eleito em 2002, 1.200 indígenas foram mortos. O governo afirma que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão por trás do protesto.

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