Uribe ameaça tirar benefícios de paramilitares

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe,ameaçou na quarta-feira cassar os benefícios judiciaisconcedidos a ex-líderes paramilitares caso estes mantenham suarecusa em confessar seus crimes e entregar bens para indenizarvítimas. A decisão, na mais recente crise da complexa e polêmicanegociação do governo com as milícias de ultradireita,responsáveis pela morte de milhares de civis, foi uma reação àrecente decisão judicial de não reconhecer que eles cometeram ocrime de sedição (rebelião contra o governo), o que lhes privade receber indulto e participar da política. "Se os submetidos à lei não cumprem a lei, perdem seusbenefícios. Nada ganham em ameaçar com a suspensão do processo,com a suspensão de suas versões ou com a suspensão da entregados bens; perdem seus benefícios", enfatizou Uribe durante umato público. A negociação iniciada em 2003 já levou mais de 31 milparamilitares a entregarem suas armas e entrarem para a vidacivil, enquanto seus comandantes estão presos, mas sobbenefícios como a redução de penas e a garantia denão-extradição para os EUA, que acusam vários deles denarcotráfico.O Congresso aprovou uma lei que estabelece sentenças de cinco aoito anos para os líderes paramilitares condenados por crimeshediondos, como assassinato, chacinas, sequestros, desapariçõese torturas. A mesma lei determina que os ex-comandantes entreguem seusbens para formar um fundo que indenizaria as vítimas ou seusfamiliares. Na opinião dos ex-líderes paramilitares e de seusadvogados, a decisão judicial muda as regras negociadas com ogoverno e não lhes dá nenhuma garantia jurídica. Naquarta-feira, dois ex-comandantes faltaram a uma audiência noMinistério Público em Medellín para confessar seus crimes.Outros dois foram, mas não confessaram, alegando falta degarantias jurídicas. Uribe anunciou a possibilidade de apresentar um projeto delei que retome o crime de sedição para os paramilitares --argumentou que, se as guerrilhas marxistas do país têm o statusde rebeldes políticos, o mesmo deve valer para os grupos deultradireita criados por latifundiários na década de 1980 paracombater os militantes de esquerda. O presidente esclareceu, todavia, que esse projeto não devebeneficiar os mais de 30 parlamentares presos ou investigadospor suposta ligação aos paramilitares.

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