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Uribe chega a Buenos Aires; Chile respeita decisão colombiana

Michelle Bachelet 'reiterou que o Chile respeita a soberania' da Colômbia em relação à presença militar dos EUA

05 de agosto de 2009 | 16h57

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, chegou nesta quarta-feira, 5, a Buenos Aires para se reunir com a governante argentina, Cristina Fernández de Kirchner, com quem conversará sobre os detalhes do acordo militar que negocia com os Estados Unidos.

 

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Depois de passar pelo Chile, Uribe e sua comitiva foram recebidos pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, que os acompanhará na audiência com Cristina na Casa Rosada, sede do Executivo da Argentina.

 

Uribe começou sua viagem pela América do Sul ontem, ao visitar Peru e Bolívia. Depois da Argentina, o governante colombiano segue ainda hoje para o Paraguai e, na quinta, visita o Uruguai e o Brasil, onde se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Ontem, o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, disse  ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general Jim Jones, que a existência de bases militares americanas na região lembram a Guerra Fria. "Expressei nossa percepção de que bases estrangeiras na região se parecem um pouco com um resquício da Guerra Fria", disse o assessor de assuntos internacionais.

 

A expectativa do governo brasileiro é a de que essa polêmica seja extinta com um recuo da Colômbia. A ocasião para tratar do assunto se dará amanhã, quando o presidente colombiano, Álvaro Uribe, desembarcará em Brasília para uma audiência com Lula. "Uribe avaliará o custo-benefício disso", declarou Garcia. Ele adiantou também que Lula insistirá para que Uribe participe da reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), no dia 10, em Quito, Equador.

 

Chile

 

No Chile, manifestantes organizaram uma manifestação contra o plano militar e detidos pela polícia durante a chegada de Uribe ao local.

 

"O que posso informar é que a presidente do Chile reiterou que o Chile respeita a soberania, o interesse nacional e as decisões políticas de cada país desse continente e nesse caso particularmente da Colômbia", disse o chanceler chileno, Mariano Fernandez.

 

Na semana passada, Michelle Bachelet disse no Brasil compartilhar as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que até agora se mostrou contrário à utilização de bases militares colombianas pelos Estados Unidos.

 

Ao término da reunião de cerca de uma hora e meia com Bachelet, qualificada como "privada", Uribe disse ter tido "um diálogo bem importante" com a presidente, que disse que organizações como a Unasul poderiam tratar de temas como a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia.

 

O chanceler chileno acrescentou que os países têm diferentes acordos militares "e nós somos partidários de respeitar esses acordos e em todo caso tempos diferentes organizações para conversar de maneira civilizada, democrática e adequada", acrescentou um referência à Unasul, que se reunirá no próximo dia 10 em Quito.

 

Outros países

 

O líder peruano, Alan Garcia, um forte aliado de Uribe, disse que o Peru apoia o que chamou de "políticas fundamentais" do governo colombiano "Acredito que a história reconhecerá, em breve, o quanto foi feito em favor não apenas da Colômbia, mas do modelo democrático do nosso continente graças à força mostrada pelo presidente Uribe e seu governo", disse Garcia. O peruano comentou também o giro diplomático do colombiano para discutir a ideia. "O Uribe teve a sensibilidade para se dar conta de que o clima na região não está bom", disse Garcia.

 

Como já era esperado, Uribe teve uma escala difícil na Bolívia e ouviu críticas de Evo Morales. "Permitir bases militares na América Latina é uma agressão aos governos e democracias da América Latina. Vamos defender a soberania da América Latina", disse Morales após o encontro com Uribe. O boliviano anunciou que seu governo defenderá uma resolução na próxima cúpula da União Sul-americana de Nações (Unasul) contra instalação de bases militares estrangeiras na região. Uribe saudou "o povo irmão boliviano" e agradeceu a recepção do seu anfitrião.

 

Além da Bolívia, os governos da Venezuela, Nicarágua, Equador e do Brasil também criticaram os planos do governo colombiano. A escolha do Peru como primeiro escala da missão diplomática foi estratégica. García foi o único presidente a manifestar publicamente seu apoio ao acordo militar entre Bogotá e Washington, na semana passada. O desembarque em Brasília será na quinta. O governo colombiano informou que Uribe adiantará em um dia a visita que faria a Buenos Aires na quinta-feira. A mudança da data teria sido pedida pelo próprio Uribe à Cristina Kirchner, presidente argentina. Em seguida, o colombiano visita ainda Chile, Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera convencê-lo a desistir do acordo.

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