Uribe começa ofensiva para obter apoio no Grupo do Rio

Presidentes colombiano e equatoriano se mobilizam para tentar respaldo na Cúpula da América Latina

Agências internacionais,

07 de março de 2008 | 08h25

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, iniciou ainda na quinta-feira, 6, durante a Cúpula do Grupo do Rio, uma ofensiva para tentar respaldo diante da crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela, mesmo após a resolução da OEA. Em contrapartida, presidente equatoriano, Rafael Correa, também insistiu que o impasse não será encerrado sem uma condenação da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao governo colombiano pelo mortífero ataque de sábado contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. Veja também:OEA: falta muito para resolver impasse Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA   A Cúpula, que acontece em Santo Domingo, na República Dominicana, conta com a representação dos principais países da América Latina. O encontro é a primeira vez que os líderes de Equador, Colômbia, Venezuela e Nicarágua - que rompeu relações com Bogotá em "solidariedade ao povo equatoriano" e por causa das "reiteradas ameaças militares por parte do governo colombiano". Uribe já se reuniu com vários mandatários latino-americanos e afirmou que usará o evento para justificar a ação em território equatoriano. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o tema oficial da Cúpula, que seria sobre recursos energéticos, desenvolvimento regional e manejo de desastres naturais, ficará em segundo plano após a crise diplomática na América do Sul e centrará toda a atenção em Uribe, Correa, Hugo Chávez, presidente da Venezuela; e Daniel Ortega, presidente da Nicarágua. Uribe chegou ao país que sedia a Cúpula com uma vasta documentação, que inclui vídeos da guerrilha em territórios equatoriano e venezuelano. Uma carta ainda lembrará os 20 aos de uma operação promovida pela Nicarágua em Honduras para atacar bases da oposição nicaragüense. O colombiano já se reuniu com autoridades da República Dominicana, de El Salvador e com o chanceler brasileiro, Celso Amorim. Nesta sexta, se encontrará com o presidente mexicano, Felipe Calderón, e da Guatemala, Álvaro Colom. Uribe, porém, recusou a proposta do presidente dominicano, Leonel Fernández, de se encontrar com Corre e Chávez. Fontes no encontro afirmam que a intenção do grupo que discorda da posição colombiana é conseguir uma declaração final condenando a incursão colombiana no Equador. O presidente equatoriano, Rafael Correa, e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, pediram uma condenação "contundente" contra Bogotá, mas admitiram que o acordo alcançado na OEA é um primeiro passo para aliviar a crise.  A advertência foi feita um dia após a OEA aprovar o texto de uma resolução na qual a Colômbia admite ter violado a soberania e a integridade territorial do Equador, mas que não condena nem sanciona o governo de Bogotá. O acordo foi alcançado entre Equador e Colômbia depois de 14 horas de intensas negociações e a mediação de Brasil, Chile e Argentina. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, buscou a decisão de romper relações com a Colômbia para aproveitar o incidente com o Equador e mostrar ao mundo que supostamente enfrenta a mesma agressão territorial por parte de Bogotá. Uribe, nesse ponto, é bastante claro ao pedir que a Armada Nacional e os colombianos não ultrapasse a fronteira entre os dois países. O embaixador da Colômbia na OEA, Camilo Ospina, pediu que a Nicarágua deixe de lado sua "atitude oportunista". Chávez tem aproveitado o evento para chamar a atenção de todo o continente, se impor e roubar o show. O presidente venezuelano defendeu que se evite uma guerra na América Latina e pediu um processo que permita a transformação das Farc em um partido político "sem que seus membros sejam mortos". "Que (as Farc) entreguem as armas, que formem um partido político, mas que não lhes matem", declarou o governante ao chegar a Santo Domingo, onde amanhã participará da 20ª cúpula do Grupo do Rio, organismo cujo papel no processo de pacificação defendeu.

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