Uribe defende ação militar para resgatar reféns das Farc

Posse de Cristina Kirchner virou palco para discussão entre chefes de Estado da região

EFE

10 de dezembro de 2007 | 21h43

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, defendeu nesta segunda-feira, 10, o direito de seu governo de resgatar à força reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em meio a uma crescente pressão em favor de uma solução humanitária para libertar Ingrid Betancourt.   Uribe fez estas declarações depois de se reunir com o primeiro-ministro François Fillon, que assim como ele teve uma maratona de reuniões com outros governantes em Buenos Aires, onde todos foram assistir à posse de Cristina Fernández de Kirchner como nova presidente da Argentina.   Nesta segunda, Buenos Aires se tornou cenário de fortes movimentações para achar uma solução para o caso da ex-candidata Betancourt e outros 44 reféns que as Farc consideram "passíveis de troca" por 500 guerrilheiros presos.     Fontes consultadas pela Efe concordaram que as pressões sobre o governo da Colômbia em favor da libertação dos reféns sob enfoque estritamente humanitário recrudesceram. Brasil e Argentina estão em sintonia na iniciativa de criar uma espécie de fórum regional de apoio a uma "solução humanitária" com os países sul-americanos, até para evitar polêmicas com as ações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desautorizadas por Uribe. As fontes destacaram que os presidentes de Chile, Bolívia e Equador, também presentes em Buenos Aires, fizeram declarações ou deixaram transparecer posições que se inclinam mais pelo lado humanitário do que pelo político.     Uribe explicou a posição do governo colombiano em reuniões com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet, do Chile.     A mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, reiterou o pedido à comunidade internacional para que interceda por sua filha.   Lula ofereceu "ajuda" à Colômbia tanto para a troca humanitária "e ainda para alcançar um acordo de paz", segundo o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Ele evitou fazer outros comentários alegando que é preciso abordar o assunto "com discrição" para que as negociações tenham sucesso. Uribe chamou a conversa com Lula de "construtiva".   Porta-vozes de Bachelet disseram à Efe que a ela fez um apelo a favor da libertação dos reféns das Farc, em sintonia com a posição do presidente do Equador, Rafael Correa, que se disse "neutro" na questão.   Em seu primeiro discurso como presidente da Argentina, Cristina Fernández pediu "que Deus ilumine" à "irmã e querida" Colômbia "para poder jogar luz sobre uma decisão que o direito humanitário internacional exige".Cristina se reúne nesta terça-feira, 11, com Uribe e com Pulecio, esclareceu que sua posição não significa "imiscuir-se nos assuntos de outro país".   "Há um direito humanitário internacional para que ponhamos todo o esforço para não chegar tarde demais", enfatizou ela em meio a aplausos de parlamentares e membros delegações estrangeiras.   Depois de se reunir com Fillon e Lula, Uribe assegurou que o resgate dos reféns das Farc à força constitui um "direito irrenunciável" de seu governo."Sempre exercemos o dever de buscar nossos seqüestrados por meio das forças institucionais", disse o presidente colombiano.   Mas o primeiro-ministro da França ressaltou que "toda a pressão internacional que se pode exercer" sobre Uribe e as Farc "é importante". Fillon disse ter pedido a Uribe que faça "todos os esforços possíveis para conseguir este objetivo" da libertação de Betancourt e do resto dos reféns. De todos os modos, Fillon expressou a "gratidão" da França por "tudo o que faz" o governo colombiano em favor dos reféns.   Uribe insistiu que "todos os esforços estão sendo feitos. Tomamos decisões que o mundo conheceu e vamos ver como avançamos", acrescentou.   Uma proposta da Igreja Católica de criar uma "zona de encontro" onde negociar com as Farc foi aceita. Ingrid Betancourt foi seqüestrada em fevereiro de 2002.   A delegação francesa desmentiu taxativamente rumores de que Fillon, Lula e o agora ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner iriam se reunir com Chávez, que teve certa moderação a falar da questão.

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