Efe
Efe

Uribe detalha acordo sobre bases dos EUA na Argentina

Após a reunião com Cristina Kirchner, o presidente colombiano deixou o país sem dar detalhes da conversa

Marina Guimarães, correspondente da Agência Estado,

05 de agosto de 2009 | 19h55

Antes de desembarcar no Brasil, na quinta-feira, 6, para reunir-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, fez uma escala em Buenos Aires, onde conversou com sua colega argentina, Cristina Kirchner, sobre os acordos militares entre seu país e os Estados Unidos. No Brasil, assim como na Argentina, Peru, Chile, Paraguai, Bolívia e Uruguai, também incluídos no roteiro, Uribe tem um objetivo: dar explicações aos colegas sobre o acordo que ainda está em fase de negociação, mas que poderá transformar a Colômbia no reduto das operações militares norte-americanas na América do Sul.

 

Veja também:

linkNegociação com Colômbia 'poderia ter sido melhor', dizem EUA

linkUribe chega a Buenos Aires; Chile respeita decisão colombiana

link Colômbia vai ceder 7 bases aos EUA

link Instalações já vinham sendo utilizadas por americanos, diz senador

 

link Para Ricupero, País foi ''megalomaníaco''

link Brasil não aceita versão dos EUA sobre bases

 

Após a reunião com Cristina, Uribe deixou o país sem dar detalhes da conversa, mas disse aos jornalistas que a reunião "foi ampla e tratou de temas bem importantes", e agradeceu à presidente argentina "por este espaço de diálogo".

 

Nesta manhã, Uribe também foi recebido pela presidente chilena, Michelle Bachelet, em Santiago. Bachelet recomendou que o assunto seja analisado pelo Conselho de Segurança da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Mas o chanceler chileno, Mariano Fernández, defendeu a soberania da Colômbia para decidir sobre a instalação das bases. "Achamos que é preciso respeitar as decisões soberanas que cada país tem e, falando deste assunto, diversos países têm acordos estratégicos e militares com distintos países e, achamos que não se pode isolar um caso sem examinar o conjunto", disse Fernández. A visita de Uribe a Santiago gerou um protesto que deixou 14 detidos.

 

Uribe quer dar detalhes do acordo aos presidentes dos países da região antes da cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que será realizada na próxima segunda-feira, no Equador. Com relações diplomáticas cortadas com o Equador, desde março de 2008, o colombiano disse que não vai participar da reunião dos presidentes, na qual o boliviano Evo Morales pretende apresentar uma resolução da Unasul contra o projeto de Uribe.

 

Durante visita de Uribe à Bolívia, ontem, Morales criticou duramente o acordo que prevê o uso, pelo Exército americano, de até sete bases militares na Colômbia. "Permitir bases militares na América Latina é uma agressão aos governos e democracias da América Latina. Vamos defender a soberania da América Latina", disse Morales após o encontro com Uribe. As críticas de Morales são acompanhadas pelos governos do Brasil, Venezuela, Nicarágua e Equador.

 

Na reunião desta quinta-feira, o presidente Lula pretende convencer Uribe de retroceder em sua proposta e já deixou bem clara sua posição, através das declarações de seu assessor de assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia. Ele disse ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general Jim Jones, que a existência de bases militares americanas na região lembra a Guerra Fria.

 

O presidente do Peru, Alan Garcia, um aliado de Uribe, disse ontem, durante visita do colega a Lima, que seu país apoia "as políticas fundamentais" do governo colombiano. Desde a semana passada, García foi o único presidente a manifestar publicamente apoio ao acordo militar entre Bogotá e Washington.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEUAArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.