Sergio Castro/AE
Sergio Castro/AE

Uribe diz que 'caráter pacífico' da Colômbia é garantia de bases

Embora negue incômodo com presença dos EUA, Lula defende apresentação de acordo no âmbito da Unasul

André Mascarenhas, do estadao.com.br,

19 de outubro de 2009 | 17h28

Em entrevista coletiva ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 19, o chefe do governo colombiano, Álvaro Uribe, apresentou o "caráter pacífico da Colômbia" como garantia do acordo que autoriza forças americanas a utilizarem bases do país vizinho.

 

"As garantias são os processos históricos. A Colômbia jamais foi um país agressivo, mas temos que enfrentar o problema do narcotráfico. Temos sido respeitosos com as decisões do Brasil e esperamos que nossas decisões também sejam respeitadas. Temos feito de tudo para que não haja desconfiança", disse o presidente colombiano, que participou de um encontro bilateral com seu colega brasileiro e empresários dos dois países na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

 

EUA e Colômbia anunciaram este ano um acordo para que militares americanos possam utilizar sete bases estratégicas das Forças Armadas colombianas para lutar contra o narcotráfico e o terrorismo, o que gerou a rejeição de muitos países latino-americanos.

 

Embora tenha negado incômodo com a instalação das bases, Lula reiterou que não desistiu de ter acesso ao conteúdo do acordo, assim que este esteja firmado, no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

 

"Eu acredito que se não ingerirmos em outros países, teremos paz", disse Lula, que preferiu se esquivar de comentar a resposta de seu colega colombiano.

 

"Eu manifestei minha preocupação, mas penso que vamos esclarecer essa situação. Eu confio na palavra dos presidentes Uribe e (Barack) Obama. Espero que quando este acordo esteja firmado, possamos ter acesso a ele. Espero que na Unasul possamos mostrar todos os nossos acordos militares, seja do Brasil com a França, da Colômbia com os Estados Unidos ou da Venezuela com quem quer que seja. É preciso que todos tenhamos clareza", completou o presidente brasileiro.

 

Aproximação com vizinhos

 

Segundo uma fonte do Itamaraty, o governo vê a instalação das bases como fato consumado. A estratégia agora seria aproximar a Colômbia e Uribe dos instrumentos multilaterais latino-americano, em especial da Unasul. Identificado com a direita sul-americana, Uribe tem enfrentado problemas com seus vizinhos Venezuela e Equador, ambos governados por políticos socialistas. No ano passado, um ataque colombiano a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em território equatoriano, gerou uma escalada nas tensões entre os dois países, que resultou no rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.

 

O objetivo de distender as relações entre os três países, incluindo a Colômbia no contexto sul-americano, ficou claro nas palavras de Lula.

 

"A grande oportunidade da América do Sul é o fortalecimento da paz e a consolidação da democracia. Precisamos esquecer os conflitos do século XIX", disse Lula na coletiva. O presidente destacou o papel da Unasul ao ser questionado se é possível alcançar esse objetivo apesar dos problemas entre Colômbia, Venezuela e Equador.

 

"Tenho certeza de que podemos resolver nossos problemas na Unasul. A capacidade de diálogo que vai resolver nossas diferenças", completou Lula.

 

 

Reeleição

 

Em meio ao processo de aprovação de uma emenda constitucional que autoriza uma terceira reeleição na Colômbia, Uribe garantiu não ter partido dele a proposta, mas defendeu a legalidade da manobra.

 

"Vou responder a essa questão como tenho feito com a imprensa colombiana. A Colômbia é um país de instituições, e nossa justiça é independente", disse Uribe, que atribuiu ao seu governo os avanços nesse campo. Segundo o presidente colombiano, no passado, "muitos políticos tinham que pedir permissão aos grupos terroristas ou paramilitares" antes de exercer qualquer ação.

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