Uribe diz que Colômbia não é 'agressor internacional'

Presidente defende acordo militar com EUA para uso de bases no país andino; Chile e Brasil criticam proposta

31 de julho de 2009 | 12h59

A Colômbia nunca foi um país agressor de seus vizinhos e o que busca com um novo acordo militar com os EUA é uma colaboração "prática" contra a violência interna do país. E como o presidente colombiano, Álvaro Uribe, justifica a possibilidade de permitir a instalação de novas bases dos EUA no país. As declarações foram publicadas nesta sexta-feira, 26, na revista Ahora e são parte de uma entrevista feita no dia 26, antes de que Chile e Brasil pedissem que o projeto fosse discutido no Conselho de Defesa Sul-Africano, no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

 

Veja também:

Brasil e Chile criticam base dos EUA na Colômbia

Brasil e Espanha pedirão explicação aos EUA

Fronteira entre Colômbia e Venezuela já vive tensão

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente chilena, Michelle Bachelet, pediram que o acordo militar que viabilizaria o uso de bases militares colombianas pelos EUA seja levado para uma discussão regional. Apesar de começar seu discurso com um tom conciliador, Lula não disfarçou que a negociação entre Bogotá e Washington o incomodam. "Eu posso dizer que, a mim, não agrada mais uma base americana na Colômbia", disse, um dia depois de conversar por telefone com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está fazendo uma ampla campanha contra o acordo.

 

As negociações da Colômbia com os EUA foram trazidas a público na semana passada, deteriorando bastante as relações de Bogotá com a Venezuela e o Equador. A tensão chegou ao ápice na terça-feira, quando Chávez rompeu relações com o país vizinho após o governo colombiano acusá-lo de fornecer armas à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A reunião da Unasul para a qual eles querem que seja levada a discussão sobre o uso das bases colombianas está marcada para o dia 10, em Quito (Equador). "Todo mundo junto no dia 10 poderemos ter muita franqueza para conversar e encontrar uma solução", afirmou o brasileiro.

 

Na entrevista, Uribe respondeu que o acordo com os EUA seria uma fase melhorada do Plano Colômbia, pacote de ajuda antidrogas e contra a subversão que Washington já repassou a Bogotá desde 2000 cerca de US$ 6 bilhões. Segundo o presidente colombiano, a Colômbia nunca foi um país agressor da comunidade internacional, mas recebeu agressão de seu terrorismo interno. "Nosso grande problema é o terrorismo interno, essa é a razão de nossa luta e nestas relações internacionais devemos ser pacientes", disse Uribe sobre o que pensava em fazer sobre os problemas envolvendo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Equador e Venezuela. O presidente não citou nenhum país particularmente.

 

Bogotá negocia com Washington que militares americanos tenham acesso por pelo menos 10 anos a três bases colombianas. O governo Uribe diz que as operações com os EUA se restringem ao território colombiano, e não para criar bases americanas na América do Sul. Atualmente, cerca de 600 membros das Forças Armadas americanas e funcionários civis trabalham no país.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEUABrasilVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.