Uribe é pressionado a decidir se buscará terceiro mandato

Partido do presidente colombiano anuncia que tentará reforma constitucional para permitir reeleição

Agência Estado e Associated Press,

07 de fevereiro de 2008 | 13h37

Opositores e aliados de Alvaro Uribe pediram nesta quinta-feira, 7, que o presidente colombiano decida logo se pretende ou não buscar um terceiro mandato, pois a incerteza quanto a essa possibilidade lançaria a Colômbia em uma campanha eleitoral prematura. Políticos a analistas ouvidos nesta quinta pela Associated Press observaram que a eventual busca de Uribe por um terceiro mandato representaria um golpe à institucionalidade, pois não consideram sadia a perpetuação no poder, mesmo que pelo voto popular. Ainda segundo eles, o início do debate sobre uma nova reeleição desviará o governo e o próprio país da busca por solução para os graves problemas da nação, desde o conflito interno à saúde da economia. As próximas eleições presidenciais na Colômbia estão previstas para 2010. O debate começou depois que o governista Partido Social da Unidade Nacional (partido da U) anunciou oficialmente na quarta-feira que começará a colher assinaturas para impulsionar uma reforma constitucional para que o presidente possa buscar o terceiro mandato. A constituição colombiana já havia sido modificada em 2005 para permitir que um presidente pudesse concorrer uma vez à reeleição ao término de um primeiro mandato de quatro anos. Essa alteração permitiu a Uribe reeleger-se presidente da Colômbia em maio de 2006. Uribe, de 55 anos, ainda não se pronunciou sobre a iniciativa de seu partido, apesar de em novembro do ano passado ter manifestado a opinião de que "tentar perpetuar-se no poder é tirar o vigor da democracia". "Esperamos que o presidente, no menor tempo possível, assuma publicamente uma posição sobre esse anúncio de seu partido e diga claramente se aceita ou não essa proposta", disse em entrevista telefônica o senador de oposição Juan Fernando Cristo co-presidente do Partido Liberal. O senador Cristo observou que os amigos do presidente insistem em colocá-lo nas mesmas condições do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "a quem tanto questionam e tanto criticam justamente por, supostamente, presidir um regime pouco democrático, de ter pretensões caudilhescas e de estar sempre no poder na Venezuela. Estão percorrendo o mesmo caminho aqui na Colômbia e seria muito ruim para a democracia colombiana, para o país e para o próprio presidente Uribe". "Independentemente de Uribe responder sim ou não, é o país quem deve dizer não porque não é bom para o futuro da nação, para a democracia", opinou, por sua vez, Daniel García-Peña, secretário-geral do opositor Pólo Democrática (esquerda). "Um terceiro mandato romperia o equilíbrio de poder. Seria algo negativo para o sistema" de alternância democrática, opinou durante conversa por telefone.  Aliados do presidente, como Fabio Echeverry, que chefiou as duas campanhas eleitorais de Uribe para a presidência, comentaram que apesar de o mandatário gozar de elevados níveis de popularidade, a iniciativa do Partido da U "perturba" o trabalho do governo. Para uma reeleição, "vender Uribe não é difícil, é como vender Juanes ou Shakira", comparou Echeverry, referindo-se aos populares cantores colombianos durante entrevista à Rádio Caracol. "Mas creio que não é hora de perturbar. Não perturbem o governo do presidente Uribe obrigando o país a discutir a partir de agora, diariamente, a reeleição", disse ele ao pedir aos aliad os do governante que deixem de lado a iniciativa.

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