Uribe extradita chefes paramilitares presos para os EUA

Governo colombiano rompe processo de paz mantido com líderes e entrega 14 presos para a Justiça americana

Agência Estado e Associated Press,

13 de maio de 2008 | 08h07

Em uma medida surpreendente, o governo do presidente Álvaro Uribe extraditou nesta terça-feira, 13, para os Estados Unidos, 14 paramilitares. Segundo as autoridades, eles estavam presos, alguns por acusações de narcotráfico, e voltaram a cometer crimes dentro da prisão.   Veja também: Câmara abre investigação de Uribe e paramilitares na Colômbia    O governo tem "a certeza de que (os paramilitares) estavam delinqüindo ou reorganizando estruturas de delinqüência" na prisão, afirmou o ministro do Interior, Carlos Holguín, à rádio Caracol. Os 24 líderes paramilitares estavam em diferentes prisões de alta segurança colombianas. Eles haviam se desmobilizado como parte de uma negociação com o governo de Uribe, a partir de 2003   O grupo foi embarcado em um avião que partiu de Bogotá para Miami, segundo o ministro. Holguín não deu detalhes sobre as acusações feitas pelos EUA aos paramilitares. Em Washington, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que o governo do presidente George W. Bush esperava que a extradição convencesse os membros do Partido Democrata de que Bogotá está comprometida no combate à violência e ao narcotráfico. Os democratas, que dominam o Congresso, têm protelado a confirmação de um tratado de livre comércio com a Colômbia, argumentando que o governo de Uribe não faz o suficiente para combater a violência contra sindicalistas.   Segundo um funcionário que falou sob condição de anonimato, o avião com os paramilitares saiu de Bogotá às 7 horas (locais). Dois suspeitos seriam deixados em Miami, oito em Washington e os outros quatro em Nova York e Houston. Imagens de televisão mostraram alguns dos extraditados caminhando para o avião.   Entre os membros do grupo estão Salvatore Mancuso e Diego Murillo, apelidado de Don Berna. Ambos estavam entre os chefes mais conhecidos e ativos nesses esquadrões da morte, aos quais se atribui centenas de assassinatos, além do tráfico de drogas, dos anos 1990 até sua desmobilização.   Holguín afirmou que a medida não significava o fim do processo de paz com os paramilitares, iniciado pelo governo com líderes desses grupos. Segundo o ministro, outras centenas de paramilitares seguem colaborando com a Justiça.   Advogados dos extraditados demonstraram surpresa com a decisão. O advogado de Mancuso, Hernando Benavides, disse que seu cliente não violou nenhuma norma. Mancuso era chefe da desmantelada Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que agrupava vários grupos militares. Ele é acusado desde 2002 nos Estados Unidos pelo envio de 17 toneladas de cocaína para esse país e a Europa.   O presidente da Suprema Corte, Francisco Ricaurte, indicou que a decisão da extradição era legal. O magistrado recordou que, no ano passado, a corte já havia decidido que os acusados poderiam ser enviados à justiça norte-americana.   Matéria atualizada às 14h15.

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