Uribe melhora suas relações com Chávez

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,chocou a América Latina na semana passada ao pedir paraingressar num banco de desenvolvimento ligado à campanha dopresidente venezuelano Hugo Chávez para integrar a América doSul. Mas o anúncio de Uribe foi somente o mais recente dosgestos amigáveis do presidente colombiano para com seu colegavenezuelano. Num momento em que o Congresso dos EUA reavalia sua ajuda àColômbia e ameaça rejeitar um acordo de livre comércio, emfunção de preocupações com direitos humanos, Uribe vem fazendomais e mais gestos de aproximação com Chávez, incluindo buscarajuda para negociações com rebeldes marxistas. "Uribe está transmitindo a mensagem sutil, mas inquietante,de que poderá fortalecer seus vínculos com governosesquerdistas na região se sua amizade com os EUA azedar", disseAlfredo Rangel, do instituto Segurança e Democracia, de Bogotá. "Washington deveria prestar atenção." Cynthia Arnson, diretora do Programa América Latina doCentro Woodrow Wilson, em Washington, identifica outramotivação. "Uribe parece acreditar no velho ditado que recomendamanter seus amigos próximos e seus inimigos ainda maispróximos," disse ela. "Trata-se de um exemplo clássico dotriunfo do interesse sobre a ideologia." Essa estratégia para lidar com Chávez seria difícil para osEUA reproduzirem, porque o líder venezuelano é tão fortementehostil ao que chama de imperialismo americano. Chávez tem mais em comum com Uribe do que a fronteira de2.219 quilômetros que seus dois países dividem. Ambos ospresidentes são figuras populares que promoveram alteraçõesconstituições que lhes permitam permanecer mais tempo no poder. Uribe, cujo pai foi morto num sequestro mal conduzido porguerrilheiros esquerdistas, mais de 20 anos atrás, quer mostrarque é suficientemente flexível para aceitar a ajuda de Chávezem questões que vão desde o Banco do Sul, até acordosenergéticos e uma troca de reféns com os rebeldes. Entre as dezenas de reféns de destaque na Colômbia estãotrês norte-americanos do setor da defesa sequestrados porguerrilheiros em 2003. Pesquisas de opinião indicam que oscolombianos querem que os reféns sejam trocados por insurgentesdetidos em prisões do governo, e Chávez prometeu ajudar amediar a troca.

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