Uribe pede que se trate guerrilha como terrorista

Presidente colombiano fez o pedido perante delegados dos 34 países que participam da assembléia da OEA

Efe,

02 de junho de 2008 | 00h48

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pediu neste domingo, 1, na inauguração da 38ª Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) que os países do continente americano considerem terroristas os grupos rebeldes e não lhes concedam o status de beligerantes, já que são "uma ameaça" para elas mesmas. Uribe fez estas declarações perante delegados dos 34 países da OEA. Ele afirmou que os movimentos insurgentes, entre os quais citou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não merecem o status de beligerantes que reivindicam a alguns países. "A Colômbia enfrentou o maior dos desafios com o terrorismo mais rico, por causa do narcotráfico. Avançamos muitíssimo, mas reconhecemos que ainda falta algo para a paz total", disse. O presidente colombiano reiterou que considera as guerrilhas terroristas porque são financiadas pelo narcotráfico e não levam em conta o direito internacional humanitário, acrescentando que o obstáculo para negociar com as guerrilhas é "seu apego ao dinheiro do narcotráfico". Ressaltou que "na Colômbia não há grupos violentos lutando contra uma ditadura, mas maltratando a democracia". "Pedimos aos países irmãos que considerem que em uma democracia como a colombiana não procede reconhecer status de beligerâncias a grupos terroristas financiados pelo narcotráfico", disse. O líder agradeceu a presença à reunião da chanceler do Equador, María Isabel Salvador, apesar da ruptura das relações diplomáticas entre os dois países, decidida pelo país vizinho em março. O Equador rompeu as relações depois que tropas colombianas bombardearam um acampamento das Farc em território equatoriano. "Não tivemos inconveniente para pedir perdão (...) A única coisa que pedimos é que nos ajudem a viver como os senhores vivem. Às vezes sentimos inveja ao ver que os seus países não têm o problema do terrorismo", disse Uribe. O presidente também disse que o país está lutando contra os paramilitares, que utilizaram o massacre como forma de justiça. Uribe explicou que quando começou seu primeiro mandato de quatro anos, em 2002, encontrou 60.000 terroristas, dizendo que 12.000 eram guerrilheiros e o resto paramilitares. "Os números dão uma dimensão do problema que estamos superando", acrescentou Uribe, após ressaltar que em outros países, como os da América Central, os rebeldes não passam de 5.000. Uribe destacou a queda no número de assassinatos de sindicalistas e a diminuição dos seqüestros e pediu um "apoio efetivo" dos demais países contra o narcotráfico "que financia o terrorismo e é uma ameaça para os países irmãos". O chefe de Estado colombiano, cujo Governo é qualificado como o primeiro aliado dos Estados Unidos na América Latina, qualificou como obsoleto falar de Governos de esquerda e de direita. "Respeitemos a diversidade. Evitemos as polarizações", disse Uribe, pedindo um "grande compromisso" para que os processos de integração não debilitem a OEA, mas "contribuam para fortalecer seus princípios". Por outro lado, o presidente colombiano agradeceu a escolha de Medellín como sede da assembléia. Uribe assinalou que a cidade recebeu "com dor" os presentes à assembléia, devido aos deslizamentos causados pelas chuvas em bairros populares, que causaram quase 20 mortos e centenas de desabrigados. Mas ressaltou que chegam "a uma cidade em recuperação", após passar por anos de violência causada, segundo ele, "por esse inimigo da humanidade que é o narcotráfico e pelos grupos terroristas de guerrilha e paramilitares".

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