Uribe pode adiantar eleições para superar crise paramilitar

Líder colombiano admitiu que também está sendo investigado por ligações com paramilitares

23 de abril de 2008 | 15h27

O escândalo dos paramilitares pode custar caro ao presidente colombiano, Álvaro Uribe. O chefe de Estado disse nesta quarta-feira, 23, que não descarta adiantar as eleições para superar a crise de instabilidade gerada pela suposta ligação de líderes políticos e grupos paramilitares. Em declarações à Rádio colombiana Caracol, Uribe conheceu que está analisando 'todas as opções' e que desde domingo se reúne grupos paramilitares para tomar a decisão mais adequada para enfrentar a crise política, segundo o jornal El País    Veja também: Após ter asilo negado, primo de Uribe é preso na Colômbia   "Não vou me deixar pressionar, precisamos examinar esse tema com muito cuidado para tomar a melhor decisão", afirmou Uribe. Para ele, é "um erro histórico" dos colombianos pensar que os problemas se resolvem com reformas constitucionais. "O governo não por o país a dar saltos diante da incerteza", acrescentou.   "Deve-se lembrar que este governo desmantelou o paramilitarismo, o combateu e obrigou sua desmobilização", destacou o líder colombiano, que insistiu que sente uma "grande dor" pela prisão de seu primo, o ex-senador Mario Uribe, e que espera que a justiça complete a investigação e traga a verdade à tona.   Nova investigação   Após a comoção causada pela detenção de seu primo, que teve seu pedido de asilo político negado pela Costa Rica, o presidente colombiano informou que também está sendo investigado. Segundo ele, as autoridades apuram uma denúncia feita por um preso de que teria participado de uma reunião para planejar o massacre de El Aro, em Antioquia, onde 15 pessoas foram assassinadas por paramilitares em outubro de 1997. Na época, Uribe era governador do Departamento de Antioquia.   "Passei a semana santa conversando com advogados para que se reúna toda as informações sobre meus movimentos desde 1988", disse o líder colombiano, em entrevista na Rádio Caracol. De acordo com as acusações, o então governador teria se reunido com os generais Ospina, Rosso e com o líder paramilitar Salvatore Mancuso para planejar o massacre.   Uribe afirmou que a justiça deve investigar todos as denúncias, porém é preciso ter "muito cuidado" com a declaração "de um bandido com sede de vingança contra um cidadão honorável" como ele. "Esse bandido (um ex-paramilitar que atuava no Departamento de Sucre) disse que eu agradeci a todos os paramilitares por esse massacre, porque libertaram seis seqüestrados, entre eles um primo meu. Ainda foi dito que Santiago, meu irmão, prestou 20 paramilitares para esse crime", concluiu.

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