Uribe pode mudar status das Farc como terroristas

Colômbia pode considerar pedido de Chávez se rebeldes negociarem com seriedade para encerrar conflito

Agências internacionais, REUTERS

15 de janeiro de 2008 | 07h38

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, disse na segunda-feira, 14, que está disposto a deixar de qualificar como terrorista a maior guerrilha do país, sob a condição de que ela avance com boa-fé e seriedade em uma negociação de paz que permita encerrar o violento conflito da Colômbia.   Chávez pede a Europa que tire Farc da lista de terroristas Brasil rejeita pedido de Chávez para status das Farc Galeria de fotos do resgate das reféns  Assista às imagens da libertação Saiba quem são as reféns Entenda o que são as Farc Cronologia: do seqüestro à libertação     Uribe - na Guatemala para a posse do presidente Alvaro Colom - respondia implicitamente a um pedido do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que lhe solicitou para deixar de classificar como terroristas as principais guerrilhas da Colômbia, a fim de facilitar conversas de paz. Chávez também pediu para que fosse reconhecido o estado de insurgência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), depois que conseguiu, na semana passada, a libertação de duas políticas. "No momento em que as Farc quiserem, que façam demonstrações de boa-fé, que queiram negociar a paz, o governo da Colômbia está disposto a conceder-lhes todos os benefícios dentro da nossa Constituição para facilitar esse processo de paz", declarou Uribe. "O governo da Colômbia, no momento em que avançar a paz com as Farc, seria o primeiro que deixaria de chamá-los de terroristas e o primeiro que pediria ao mundo que, como contribuição à paz, não os chame mais de terroristas", acrescentou.   De todo o modo, Uribe voltou a insistir que "os grupos violentos da Colômbia são terroristas porque recrutam e maltratam menores, atentam contra mulheres grávidas e idosos e lançam bombas contra a população civil". Uribe afirmou ainda que o tráfico de drogas "é o principal sustento da atividade violenta" das Farc e que "o humanitário não pode excluir a segurança".   Pela classificação, grupos terroristas praticam violência premeditada com motivações políticas, agindo inclusive internacionalmente. Grande parte das ações são perpetuadas contra civis com o objetivo de influenciar a opinião pública. Segundo a BBC, os Estados Unidos enviam ajuda financeira à Colômbia para o combate do "terrorismo das guerrilhas" e o narcotráfico no país.   Carta de Sarkozy O presidente da Colômbia comentou pela primeira vez a proposta de Chávez depois de se reunir com a secretária de Estado para Relações Exteriores e Direitos Humanos da França, Rama Yade, que entregou a Uribe uma carta do presidente Nicolas Sarkozy. Na carta, o presidente francês pede que Uribe "se esforce" pela libertação dos reféns em poder das Farc, entre os quais se encontra a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa. Uribe reiterou que o único caminho de encontro com a guerrilha é por intermédio da Igreja Católica. O presidente colombiano também agradeceu o apoio recebido de governos e instituições internacionais que ainda consideram as Farc uma organização terrorista. Estima-se que as Farc ainda mantenham mais de 700 reféns na selva colombiana, incluindo 45 considerados "trocáveis" pela organização guerrilheira, por conta de seu peso político.

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