Uribe promete não repetir ação como a que matou Raúl Reyes

Presidente assume toda a responsabilidade da operação e defende solução diplomática para a crise

Efe,

06 de março de 2008 | 03h39

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse nesta quarta-feira, 5, que se compromete "a não repetir" uma operação como a que matou no sábado passado o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), "Raúl Reyes".  Veja também:Lula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regionalPT diz que Colômbia pode ameaçar a paz na América LatinaRaúl Reyes foi localizado após uma ligação de Chávez, diz rádioEm telefonema para Sarkozy, Chávez reafirma posição pacifista Resolução diz que Colômbia violou soberania do EquadorColômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  Em reunião esta noite no Palácio de Nariño, sede da Presidência, com diretores de meios de comunicação colombianos e agências e correspondentes estrangeiros, Uribe voltou a assumir "toda a responsabilidade" pela operação militar, na qual Luis Edgar Devia, nome verdadeiro de Raúl Reyes, e outros cerca de 20 guerrilheiros morreram em território equatoriano. O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta-feira, 5, em Washington uma resolução pactuada por Colômbia e Equador que estabelece que Bogotá violou a soberania e integridade territorial do Equador nessa operação, e os princípios do direito internacional. "Aceitamos a resolução da OEA e assumo a responsabilidade", afirmou Uribe, que, em seguida, pediu "franqueza" nas relações entre os países e defendeu uma "solução diplomática" para a crise. Após a operação militar, o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu romper as relações diplomáticas com a Colômbia, e ordenou o envio de tropas à fronteira comum. A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá, expulsou o embaixador colombiano em Caracas e também enviou tropas à fronteira, o que gerou uma crise na região que mesmo com a resolução da OEA está longe de acabar. Uribe reconheceu que a Colômbia pode encontrar dificuldades por causa de sua intervenção em território equatoriano, e afirmou que este é "um momento difícil para o país", mas se mostrou convencido de que no futuro "será bom" para a Colômbia. O presidente colombiano afirmou que conversou nos últimos dias com "quase todos" os governantes do continente, com a União Européia e com os secretários gerais da ONU, Ban Ki- moon, e da OEA, José Miguel Insulza, para apresentar seus argumentos, o que fará também no próximo fim de semana na reunião do Grupo do Rio, na República Dominicana. Uribe negou que a morte de Raúl Reyes pudesse prejudicar um possível acordo humanitário para libertar os seqüestrados das Farc em troca de guerrilheiros presos. "Raúl Reyes era um obstáculo para o acordo humanitário e para negociar a paz", afirmou. O governante rejeitou que seu Governo seja "belicista", mas insistiu em que seu dever "é proteger a vida de 43 milhões de colombianos", o que o obriga a atuar "com determinação contra o terrorismo".

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