Uribe se reúne com cúpula militar para discutir conflito com Venezuela

Tensões foram reacesas após afirmação da Colômbia sobre presença de guerrilheiros no país vizinho

Efe,

16 de julho de 2010 | 18h52

BOGOTÁ- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, teve nesta sexta-feira, 16, uma reunião de urgência com a cúpula militar do país para analisar as provas da presença de líderes guerrilheiros na Venezuela, um assunto que terminou com a retirada do embaixador venezuelano em Bogotá.

 

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Nem Uribe e nem os altos comandantes militares fizeram declarações depois dessa reunião, que aconteceu no aeroporto militar de Catam, em Bogotá, e na qual foi discutido também, segundo a imprensa local, a resposta que será dada ao pronunciamento feito pela Venezuela através de seu chanceler, Nicolás Maduro.

 

"Chamamos o embaixador Gustavo Márquez para que venha a consultas em Caracas e se junte à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do governo colombiano", disse o chanceler venezuelano em entrevista coletiva em Caracas.

 

Maduro respondia ao comunicado divulgado hoje pelo governo da Colômbia, que afirmou que "durante seis anos" manteve um "diálogo paciente", mas "infrutífero" com a Venezuela sobre a presença de terroristas nesse país, o que leva a "pensar novamente em apelar às instâncias internacionais".

 

O novo capítulo de tensão entre os dois países, cujas relações diplomáticas e comerciais estão congeladas há quase um ano por decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, começou nesta quinta-feira, quando o governo colombiano disse ter "provas" da presença de líderes das Farc na nação vizinha.

 

OEA

 

Também nesta sexta, o governo da Colômbia pediu "com a maior brevidade possível" uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a presença de guerrilheiros esquerdistas na Venezuela.

 

"Esta solicitação está precedida por inumeráveis esforços falidos para a solução deste grave problema", disse o secretário de imprensa da Presidência, Cesar Mauricio Velásquez, ao ler um comunicado do governo.

 

Em diferentes momentos, diz o texto, "o governo da Colômbia entregou informações ao governo da Venezuela e o tema foi abordado em reuniões privadas dos presidentes".

 

Segundo a nota, "o governo da Colômbia pediu inclusive a terceiros países a facilitação neste diálogo, entre outros, a Espanha, Cuba e Brasil".

 

O comunicado assinala também que, "segundo foi acordado na reunião de Cancún de 22 de fevereiro de 2010, os dois governos aceitaram a mediação, acompanhados pelo Brasil, México e República Dominicana".

 

De acordo com a mensagem, o presidente dominicano, Leonel Fernández, chegou a ir à fronteira entre Colômbia e Venezuela para tratar do assunto, mas sua ação "foi desautorizada pelo governo da Venezuela".

 

Atualizado às 20h09 para acréscimo de informações

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