Uribe seria facilmente reeleito na Colômbia, aponta pesquisa

Aliados do presidente estão tentando aprovar emenda que permitiria que ele concorresse pela terceira vez

Reuters,

02 de outubro de 2009 | 20h08

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira mostrou que o presidente colombiano, Alvaro Uribe, venceria folgadamente, com 63% dos votos, se puder se candidatar a um terceiro mandato no ano que vem, apesar de críticos dizerem que essa iniciativa iria minar a democracia no país. Partidários de Uribe estão tentando aprovar uma emenda à Constituição para permitir que ele dispute a eleição, em maio.

A pesquisa desta sexta-feira, realizada pelo instituto Napoleón Franco para a RCN Radio, indicou que nenhum outro candidato teria chance contra o presidente conservador, apoiado pelos Estados Unidos.

Mais de 1.200 eleitores em 36 cidades foram entrevistados na sondagem, que teve margem de erro de 3,5 pontos.

Uribe é visto como herói por muitos por causa de sua posição dura contra rebeldes marxistas. Ele diz querer que suas políticas, favoráveis aos investidores, prossigam depois que seu mandato terminar, mas se esquiva de dizer publicamente se quer disputar a eleição no ano que vem.

A Constituição já foi emendada uma vez para permitir que Uribe disputasse a reeleição, em 2006. Opositores dizem que ele ganhou poder excessivo sobre as instituições do Estado. O Congresso convocou um referendo para perguntar aos eleitores se eles querem permitir que Uribe concorra em 2010. A consulta ainda pode ser bloqueada pela Corte Constitucional, que está analisando a proposta.

O candidato com o segundo maior apoio é Gustavo Petro, do partido de tendência esquerdista Polo Democrático, que obteve 8 por cento de apoio na pesquisa desta sexta-feira. Petro foi indicado na semana passada por seu partido por ter modificado suas posições em direção ao centro, distanciando-se da ala radical de esquerda da legenda.

Uribe é o principal aliado dos EUA na região andina, onde é visto como um escudo contra os governos socialistas da Venezuela e do Equador, países vizinhos. Seu governo recebeu bilhões de dólares em ajuda dos EUA, voltada na maior parte para o combate ao tráfico de cocaína e à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que são amplamente desprezadas pela população por sua prática de sequestros.

"Independentemente de Uribe disputar ou não a eleição no ano que vem, o fato é que ele mudou o discurso político no sentido da direita", disse Mauricio Romero, professor de ciência política na Universidade Javariana, em Bogotá. "Ninguém pode ser um político de sucesso na Colômbia se distanciar-se das políticas de Uribe", afirmou Romero.

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