Uribe tenta mostrar de que Farc são verdadeira ameaça

A reação dos líderes sul-americanos 'frustrou' o presidente colombiano, diz a revista Economist em artigo

BBC Brasil, BBC

07 de agosto de 2009 | 08h37

Um artigo na edição mais recente da revista britânica The Economist afirma que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está tentando convencer os líderes da América do Sul de que a verdadeira ameaça à segurança da região são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e não os Estados Unidos. A reportagem, intitulada "Bazookas and Bases" ("Bazucas e bases"), trata do acordo militar entre o governo colombiano e os Estados Unidos e afirma que a notícia sobre a negociação "alarmou" os governos sul-americanos.

 

Segundo a Economist, o governo colombiano esperava que seus vizinhos "compartilhassem de seu ultraje" ao revelar que três lançadores de foguetes suecos vendidos à Venezuela em 1988 foram encontrados em um campo das Farc. "Em vez disso, os líderes de Brasil e Chile parecem ter ficado do lado de Hugo Chávez ao expressar desconforto sobre um acordo pendente através do qual os EUA poderiam usar bases navais e aéreas da Colômbia", afirma a reportagem.

 

De acordo com a revista, a reação dos líderes da região "frustrou" Uribe, que decidiu fazer um giro para tentar "persuadir" os colegas de que o acordo não representaria uma ameaça para a segurança da América do Sul e que essa ameaça seria representada pela guerrilha colombiana.

 

A Economist cita as reações de diversos governos, entre eles o brasileiro, para afirmar que as "tensões no norte dos Andes irão persistir". Isso porque, além das reações ao governo, tensões já existentes entre a Colômbia e o Equador e também a recente escalada na tensão entre o governo colombiano e a Venezuela poderiam, segundo a revista, contribuir para o conflito na região.

 

O artigo cita o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, que afirmou que "o acordo de cooperação é contra o tráfico de drogas, o terrorismo e outros crimes". De acordo com a Economist, "enquanto não receber cooperação ativa de todos os seus vizinhos na luta contra as Farc e outros traficantes de drogas, a Colômbia vai concluir que deve confiar no apoio americano".

 

O acordo militar entre EUA e Colômbia, que ainda está em fase de negociação, poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

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