Uribe usou fotos aéreas para conter Chávez

Bogotá diz ter mostrado imagens de satélite com campos das Farc na Venezuela

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2009 | 08h26

O governo da Colômbia teria entregado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fotografias aéreas que provam a existência de cerca de 20 acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano. A informação foi passada ao Estado por membros do alto escalão do governo colombiano.

 

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Bogotá afirma que as imagens de satélites provariam que as Farc contam com bases no país vizinho. De acordo com funcionários do governo colombiano, o presidente Álvaro Uribe foi para a reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na semana passada em Bariloche, na Argentina, munido de informações sobre as Farc na Venezuela. Uribe teria usado as fotos para garantir que Chávez contivesse sua retórica durante o encontro.

 

De acordo com membros do governo Uribe, Bogotá ameaçou aumentar o tom de suas denúncias sobre o envolvimento de Caracas com a guerrilha, caso Chávez não moderasse suas críticas sobre o acordo de cessão de bases colombianas aos EUA. Além disso, a Colômbia ainda estaria esperando um pronunciamento oficial de Chávez, que deveria tomar providências sobre o assunto.

 

A relação entre Caracas e Bogotá está estremecida desde julho, quando a Colômbia disse ter apreendido lançadores de foguetes com as Farc que fariam parte de um lote que a Suécia vendeu à Venezuela nos anos 90. Desde então, Chávez congelou as relações bilaterais, anunciou que deixaria de comprar bens colombianos e substituiria as importações do país vizinho por produtos do Brasil e da Argentina.

 

A passagem de Chávez por Bariloche foi marcada por um "silêncio incômodo", segundo os colombianos. Ele sabia que, se falasse algo, seria confrontado com as fotos. Até então, a atitude comedida do venezuelano durante a reunião de Bariloche teria sido fruto exclusivamente de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe pediu moderação.

 

As mesmas fontes do governo colombiano disseram que o país está seguro em relação à posição dos militares brasileiros. Segundo eles, Bogotá tem recebido informações claras de que o Brasil não toleraria a presença de membros das Farc em acampamentos ou bases improvisadas em seu território.

 

Equador

 

Já com relação ao Equador, os colombianos não têm a mesma certeza. Bogotá queixa-se que a fronteira equatoriana estaria sendo usada como santuário da guerrilha. O governo do Equador nega as acusações.

 

A situação quase se transformou em uma crise armada em março do ano passado, depois que um bombardeio colombiano a um acampamento das Farc em território equatoriano matou Raúl Reyes, o número 2 da guerrilha. O governo colombiano agora afirma que a situação é igualmente grave na fronteira com a Venezuela.

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