Uruguai quer reunião com Argentina para discutir questão das papeleiras

Corte de Haia considerou que Uruguai não desrespeitou o meio ambiente ao construir fábrica na fronteira com a Argentina

20 de abril de 2010 | 18h49

Efe e Agência Estado

 

MONTEVIDÉU- O chanceler do Uruguai, Luis Almagro, anunciou nesta terça-feira, 20, que entrará em contato com seu colega argentino, Jorge Taiana, para marcarem um encontro entre os presidentes José Mujica e Cristina Kirchner. Na reunião, seria discutida a questão das papeleiras, após a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que deu razão ao Uruguai.

 

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Almagro pediu o "trabalho conjunto" com a Argentina para solucionar o conflito e indicou que seu país tratará "com cuidado" as negociações sobre o bloqueio de uma ponte fronteiriça por manifestantes argentinos contrários à papeleira uruguaia, mas frisou que esse continuará sendo um "tema prioritário" para o Uruguai.

 

Em entrevista coletiva em Punta del Este, a cerca de 140 km ao leste de Montevidéu, o chanceler reafirmou a "mais ampla disposição" de seu país em estabelecer "caminhos de entendimento, diálogo e desenvolvimento conjunto com a República Argentina".

 

"Queremos reafirmar nosso compromisso com o trabalho conjunto e conseguir que as disposições contidas nesta decisão sejam voltadas para o bem, para melhorar as relações entre os dois países", acrescentou.

 

Além disso, ele se mostrou convencido de que a sentença da CIJ, sediada em Haia, servirá para dar "um marco normativo mais amplo, mais analisado, mais profundo" sobre a forma de usar o Estatuto do Rio Uruguai e de estudar a futuro os projetos de investimento nessa fronteira.

 

Em sua sentença sobre a disputa, o tribunal considerou nesta terça-feira que o Uruguai não descumpriu suas obrigações de proteção do meio ambiente na construção de uma fábrica de papel e celulose da empresa finlandesa Botnia no rio Uruguai, como denunciou a Argentina. A causa tramitava na CIJ desde 2006.

 

Há mais de três anos, organizações ambientalistas e habitantes da cidade argentina de Gualeguaychú, vizinha da uruguaia Fray Bentos, onde está a fábrica de celulose inaugurada em 2007, bloqueiam a ponte internacional que une a ambas em sinal de protesto.

 

Disputa

 

A ação legal teve início em 2006, mas a polêmica se arrasta desde 2004, quando o então presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, autorizou a construção da fábrica a três quilômetros da pequena cidade uruguaia de Fray Bentos. Do lado argentino está localizada a cidade de Gualeguaychú, que vive do turismo de suas praias sobre o rio e do Carnaval.

 

Os ambientalistas argentinos iniciaram uma forte campanha contra o projeto, e o antecessor da presidente Cristina Kirchner, seu marido Néstor Kirchner, iniciou uma feroz briga com Vázquez, estremecendo as relações bilaterais. O caso provocou a pior crise diplomática entre os dois países nas últimas décadas.

 

Vázquez pediu em diversas ocasiões a intervenção do Brasil no conflito, alegando que o bloqueio da ponte provoca prejuízos ao Uruguai e fere as normas do Mercosul sobre a livre circulação de bens e pessoas. Contudo, o Itamaraty se esquivou do problema e recusou o papel de mediador do conflito, uma tarefa que acabou nas mãos da Espanha.

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