Vargas Llosa defende a descriminalização das drogas

Em artigo publicado no jornal 'El Comercio', escritor diz que as drogas são a maior ameaça à democracia na AL

AP

10 de janeiro de 2010 | 17h00

O escritor peruano Mario Vargas Llosa sugeriu que para acabar com o narcotráfico países consumidores e países produtores de drogas devem fazer um acordo para descriminalizar o consumo de drogas.

 

Llosa afirmou em seu artigo dominical publicado no diário El Comercio, que o tráfico de entorpecentes é "a maior ameaça para a democracia na América Latina".

 

Para o escritor, a legalização do consumo das drogas "deve ser acompanhada de um redirecionamento das enormes quantias de dinheiro que (...) se investem na repressão" para destinar-las a campanhas educativas, de reabilitação e informação da mesma maneira que se fez na luta contra o tabagismo.

 

Llosa opinou que "é absurdo" declarar uma guerra aos "cartéis de droga" pois estes "já ganharam" e sustentou que "esta verdade não vale apenas para o México, mas também para boa parte dos países latino-americanos".

 

"Em alguns, como Colômbia, Bolívia e Peru (o narcotráfico) avança a olhos vistos e em outros como Chile e Uruguai, de maneira mais lenta", precisou.

 

Vargas Llosa afirmou que o problema no fundo "não é policial, é econômico" pois o mercado das drogas cresce em todos os países, afeta todas as classes sociais, e "os efeitos são tão danosos para a saúde quanto para as instituições. E as drogras vão minando as democracias do terceiro mundo como um câncer".

 

Citanto o prêmino Nobel de Economia Milton Friedman, Llosa apontou "interesses poderosos" como os principais opositores à legalização do consumo de drogas, e que influenciam para que os governos continuam a adotar as atuais atitudes repressivas contra as drogas.

 

Segundo o escritor, os interesses são "os órgãos e pessoas que vivem da repressão das drogas" e aqueles que se opõem "por razões de princípio".

 

Vargas Llosa, ao lado dos romancistas Tomás Eloy Martínez, Paulo Coelho e de ex-presidentes latino-americanos, advertiram em fevereiro que as políticas repressivas contra a produção e contra o tráfico de drogas fracassaram na América Latina e consideraram que é um erro "seguir as políticas proibitivas dos Estados Unidos".

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