Vaticano manifesta a Raúl Castro preocupação com presos de Cuba

O secretário de Estado do Vaticano,cardeal Tarcisio Bertone, expressou na terça-feira apreocupação da Santa Sé com os presos cubanos, em uma reuniãocom o novo presidente do país, Raúl Castro. Foi o primeiro encontro de Raúl com uma autoridadeestrangeira desde sua posse como presidente de Cuba, nodomingo, em substituição ao irmão Fidel. "Com o maior respeito pela soberania do país e de seuscidadãos, expressei ao presidente Raúl Castro a preocupação daIgreja com os prisioneiros e suas famílias", disse Bertone noaeroporto José Martí, em Havana, antes de embarcar. O cardeal, número 2 na hierarquia do Vaticano, nãoespecificou se estava se referindo a dissidentes detidos ou apresos comuns. Entidades de direitos humanos afirmam que 320cubanos estão na cadeia -- muitas vezes em condições desuperlotação -- por manifestarem opiniões contrárias ao regimecomunista. Bertone disse torcer para que seus seis dias de visitatenham impulsionado as relações bilaterais, que vêm melhorandonos últimos tempos e tiveram um ponto alto há dez anos, quandoo papa João Paulo 2o esteve na ilha. Ele admitiu, porém, quetais relações serão sempre "desafiadoras." Raúl Castro vestia terno em vez da sua tradicional fardamarrom de general. O encontro aconteceu na sede do governocubano, diante da praça da Revolução, onde há um painel com aimagem do guerrilheiro Che Guevara. A visita de Bertone ajudou a Igreja a ter uma maiorexposição na mídia estatal. A TV pública transmitiu ao vivo, nasegunda-feira, a entrevista coletiva de Bertone em que eleelogiou a libertação de quatro presos políticos, mas disse nãoter pedido uma anistia a outros dissidentes. Uma concorrida missa celebrada pelo cardeal na catedral deHavana também foi transmitida ao vivo pela TV cubana. Num raro gesto de abertura à Igreja, o Granma, diáriooficial do Partido Comunista, publicou na terça-feira uma notados bispos cubanos pedindo ao governo que aja rapidamente pararesolver os problemas mais prementes do cotidiano da população. Depois da revolução que levou Fidel Castro ao poder, em1959, padres foram expulsos e o país passou décadas sendooficialmente ateu. Atualmente, a Igreja Católica é a únicagrande instituição da ilha que não é controlada pelo Estado, epor isso deve ter um papel importante numa eventual transiçãopara a democracia. Mas os católicos continuam proibidos de construírem novasigrejas, assumirem tarefas educacionais ou transmitiremprogramas de rádio. Autoridades prometeram a Bertone que haverámais abertura para a Igreja "na imprensa escrita e na rádio, eem certos casos excepcionais até na televisão", segundo relatodo próprio cardeal ao correspondente em Havana da agênciacatólica de notícias SIR, da Itália. (Reportagem adicional de Deepa Babington, em Roma)

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