Veículo de jornalistas desaparecidos no México é encontrado com marcas de bala

Veículo de jornalistas desaparecidos no México é encontrado com marcas de bala

Repórteres estavam acompanhando caravana de direitos humanos que foi emboscada em Oaxaca

29 de abril de 2010 | 18h08

Efe

 

OAXACA- O veículo onde viajavam dois jornalistas que estão desaparecidos há dois dias em Oaxaca, no sul do México, foi encontrado com dezenas de marcas de bala, disse nesta quinta-feira, 29, Miguel Badillo, diretor da revista Contralínea, publicação onde trabalhavam.

 

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"O carro de nossos companheiros repórteres tem mais de trinta marcas de tiro", disse o jornalistas a uma emissora local. Badillo reclamou que nem as autoridades do estado de Oaxaca, nem as federais estão atuando com a celeridade e eficácia que a situação exige.

 

A caravana humanitária onde viajavam os jornalistas Érika Ramírez e o fotógrafo David Cilia foi emboscada na terça por desconhecidos, aparentemente para impedir que os ativistas de direitos humanos que acompanhavam entregassem suprimentos à comunidade, que há vários meses é acossada por rivais políticos.

 

Além deles, também estão desaparecidos Joaquín Venegas Reyes e Noé Bautista depois do ataque nas imediações da cidade de San Juan Copala.

 

Os mortos na emboscada foram os ativistas Jyri Antero Jaakkola, um finlandês de 32 anos, membro da Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), e a mexicana Beatriz Alberta Cariño Trujillo, integrante do Centro Comunitário Trabalhando Unidos(Cactus).

 

"Realmente não há busca pelos nossos companheiros, que não sabemos se pela quantidade de disparos que os veículos têm, se encontram feridos, ou escondidos ante o temor dessa agressão, ou que os tenham sequestrado", disse Badillo.

 

Os repórteres estavam na região "reconstruindo a história do assassinato" de um membro da comunidade indígina triqui de San Juan Copala, um município autônomo que é disputado pelo Movimento Unificador de Luta Triqui (MULT) e a União de bem-estar Social da Região Triquei (UBISORT).

 

Esse "velho problema político", segundo Badillo, motivou as duas organizações humanitárias as quais pertenciam os dois ativistas mortos a atuarem no local.

 

O jornalista disse que há muita incerteza no caso, e versões contraditórias do estado dos desaparecidos. "Há quem diga que estão vivos. Há quem diga o contrário. O que é certo é que não aparecem. Não os vimos. Não queremos especular com a vida de nossos companheiros até que os encontremos", declarou.

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