Venezuela ameaça usar medidas 'firmes' contra Colômbia

Embaixador venezuelano diz que acordo para uso de bases colombianas pelos EUA deveria ser discutido na OEA

30 de julho de 2009 | 11h43

O governo venezuelano acusou nesta quinta-feira, 30, a Colômbia de agir com "hipocrisia" e "aniquilar" os esforços empreendidos para a construção de uma relação bilateral positiva, fazendo uso de uma política que coloca em perigo a paz regional. Segundo a agência AFP, o governo de Hugo Chávez adverte em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela que "cada agressão do governo colombiano será respondida com medidas muito firmes".

 

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A nota foi divulgada um dia depois de Chávez anunciar o congelamento das relações diplomáticas com a Colômbia e retirar seu embaixador de Bogotá. O anúncio foi uma retaliação de Chávez por Bogotá ter pedido explicações públicas, na véspera, pelo fato de armas compradas pela Venezuela da Suécia em 1988 terem sido encontradas com o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Bogotá justificou-se dizendo que pediu a Caracas diversas vezes para controlar o acesso da guerrilha às armas, mas não obteve resposta.

 

No comunicado, o governo Chávez ainda apela para que os governos e povos da região "detenham essa política bélica que pretende converter a América do Sul em uma área de violência". O texto diz que, com essa atitude, o governo de Alvaro Uribe "quer justificar a instalação em seu território de até cinco bases militares da principal potência bélica mundial", em referência ao acordo negociado com os Estados Unidos.

 

"O governo colombiano não explica como circulam em seu território milhares de armas nas mãos de grupos irregulares, mas exige cinicamente que a Venezuela explique a origem de três delas", afirma a nota, considerando que Bogotá culpa outros países por seu conflito interno com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

 

As tensões entre a Venezuela e a Colômbia aumentaram após Bogotá anunciar na semana passada que lançadores de foguetes vendidos pela Suécia à Venezuela nos anos 80 foram obtidos pelas Farc. A Suécia confirmou que as armas tinham sido originalmente vendidas à Venezuela. Há tempos funcionários colombianos vêm acusando Caracas de ajudar as Farc - acusação que Chávez nega.

 

O clima entre os dois países já estava tenso por causa da intenção do governo Uribe de autorizar a instalação de pelo menos três bases americanas em território colombiano. Chávez criticou as negociações e chegou a dizer que os EUA estavam preparando uma ofensiva contra a Venezuela que seria lançada a partir da vizinha Colômbia.

 

Bases americanas

 

A Venezuela considera que o acordo militar negociado entre EUA e Colômbia deveria ser discutido na Organização dos Estados Americanos (OEA), entre outras instâncias internacionais, segundo afirmou o embaixador venezuelano na Colômbia, Gustavo Márquez. O diplomata respondeu ao apelo do secretário-geral do organismo, o chileno Juan Manuel Insulza, para que as diferenças entre Caracas e Bogotá sejam resolvidas por meio do diálogo direto.

 

Para o embaixador, o pedido de Insulza é "equivocado", pois a presença de mais militares americanos em novas bases colombianas "afeta todos os países da região, não somente a Venezuela". Segundo o diplomata, o acordo é "ofensivo", já que "não está planejado contra o narcotráfico ou a insurgência interna, mas pode permitir que os EUA usem as bases para a luta que eles qualificam como contra o terrorismo e os que definem como 'eixo do mal'".

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