Venezuela anuncia racionamento de energia elétrica

Oposição acusa governo de Hugo Chavez de não ter feito os investimentos necessários para o setor

Efe,

12 de janeiro de 2010 | 04h20

O governo venezuelano iniciará nesta terça-feira, 12, um plano de racionamento de energia em todo o país, segundo inforou na noite de segunda-feira, 11, o ministro da Energia Elétrica, Ángel Rodriguez.

De acordo com as declarações à Agência Bolivariana de Notícias (ABN), Rodrígues sinalizou que os responsáveis da Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec) vão explicar aos cidadãos como serão tomadas as medidas em cada região com a finalidade de que sejam tomadas as medidas necessárias.

 

"Esperamos que haja um nível de informação importante que permita minimizar os problemas que são gerados por esse tipo de ação", diz.

 

Segundo Rodrígues, as medidas buscam impulsionar um processo de poupança que permita manter o país ativo. O ministro advertiu que se não fossem tomadas tais medidas, a diminuição dos níveis da barragem de Guri, que gera 70% da energia do país, o país estaria em uma situação "crítica" no final de fevereiro.

 

Caso sejam aplicados de maneira correta as medidas de poupança de energia, o país pode superar o período das secas que tem previsão de duração de cinco meses. Na última sexta-feira, 8, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, anunciou que os funcionários públiocos vão trabalhar apenas cinco horas por dia - das 8 às 13 horas (horário local) - para ajudar a poupar energia.

 

"Somente em Caracas, esperamos economizar cerca de 187 megawatts. Esta é uma das várias medidas que temos aprovado, para enfrentar a crise, como por exemplo a criação de "um incentivo" às famílias que reduzissem o consumo de energia, que em boa parte condena o orçamento familiar mensal", explica. "Aqueles que baixarem o consumo em uma porcentagem significativa, eliminaremos uma boa parte da tarifa de energia elétrica", completa.

 

As centrais hidroelétricas que abastecem cerca de 90 por cento do país, funcionam com as águas do rio Caroni, no estado de Bolívar, na região sudeste, cujas as represas estão a dez metros abaixo dos níveis normais.

 

A administração de Hugo Chavez ordenou que as indústrias pesadas, ligeiras, centros locais, e centros residenciais elaborem um plano obrigatório de redução de consumo de pelo menos 20 por cento em relação a cada mês de 2009.

 

A oposição venezuelana afirma que a crise elétrica é uma amostra de ineficacia do Governo chavista, que há onze anos não tem levado a sério os planos e investimentos que são necessários ao setor.

 

Desde novembro do ano passado, o governo colocou em prática planos de racionamento de água, na capital, Caracas, e além disso, as novas medidas são agregadas a desvalorização do bolívar, que entrou em vigor, na última segunda-feira, colocando a paridade dupla, de acordo com o setor, de 2,60 e de 4,30 bolívares, em relação ao dólar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.