Venezuela apoiou narcotraficantes ligados às Farc, diz revista

Contatos de Chávez e Correa com Farc não se limitam aos indicados por computador de Raúl Reyes

06 de agosto de 2009 | 12h47

Uma reportagem publicada nesta quinta-feira, 6, pela revista colombiana Cambio aponta que o envolvimento do governo Chávez não se limita aos dados encontrados no computador do líder das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) morto Raúl Reyes. Citando fontes colombianas e americanas, a publicação afirma que ex-funcionários do governo venezuelano estão envolvidos em operações feitas da Venezuela por narcotraficantes associados à guerrilha.

 

Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países. Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc - que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca - foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de "fazer chantagem" com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como "uma jogada suja e traiçoeira" do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

 

Segundo a revista, o general venezuelano Hugo Armando Carvajal, diretor do serviço secreto militar do país, estaria envolvido não só com a entrega de armas e equipamentos às Farc, mas também com operações feitas em solo venezuelano por narcotraficantes associados à guerrilha. Carvajal é um dos funcionários venezuelanos que enfrenta sanções impostas pelos EUA pela acusação de manter vínculos com rebeldes colombianos envolvidos com tráfico de drogas. A medida prevê a suspensão de negócios comerciais, transações financeiras e o congelamento de bens e contas bancárias nos EUA.

 

Outros ex-funcionários que enfrentam sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos pela mesma acusação são Henry de Jesús Rangel, Henry de Jesús Rangel Silva ex-diretor da polícia secreta e Ramón Emilio Rodríguez Chacín, que foi ministro de Interior e da Justiça. Fontes colombianas e americanas afirmam que os três favoreceram o tráfico de armas e drogas mediante o contato com um cartel de narcotraficantes em Arauca, conhecido como "clã dos irmãos Ríos", organização que até a segunda metade da década de 90 esteve envolvido com o chefe do tráfico das Farc, Tomás Medina Caracas, também conhecido como "El Negro Acacio",

 

Uma das fontes que ajudou a documentar as denúncias é Germán Arturo Rodríguez Ataya, piloto que foi capturado no fim de 2005 enquanto trabalhava com Ríos e as Farc no transporte de drogas e guerrilheiros feridos em operações militares. Ele deu as coordenadas de bases da guerrilha em território venezuelano e entregou fotografias dos contatos feitos com oficiais da Guarda Venezuelana, que entregaram o armamento aos rebeldes por ordem de Carvajal.

 

Além da entrega de armas e do envolvimento com o tráfico de drogas, oficiais do serviço de segurança colombiano que tiveram acesso aos dados obtidos por autoridades americanas afirmaram que o documento mostra que um dos negociadores de Chávez, responsável pela mediação com o grupo, visitou clandestinamente Tirofijo, número um das Farc, que morreu em 2008. Um empréstimo do governo venezuelano de US$ 250 milhões também teria sido feito aos rebeldes.

 

Envolvimento do Equador

 

A revista aponta ainda que as informações obtidas pelas autoridades colombianas também comprometem funcionários e ex-assessores de confiança do presidente do Equador, Rafael Correa. Entre eles está o major Manuel Silva, ex-chefe da Unidade de Investigações Especiais da Polícia, que confirmou a existência de encontros o ex-ministro de Interior Gustavo Larrea com as Farc. O documento pode servir para processar Larrea se Correa cumprir com o que prometeu. "Se provarem que Larrea se reuniu com as Farc, eu mesmo promoverei um processo por traição contra ele".

 

A Colômbia teria como provar ainda, além do conteúdo do computador apreendido no acampamento de Reyes, que "ações sistemáticas" de Correa contra a Colômbia começaram antes dele assumir a presidência do país. O guerrilheiro foi morto em março de 2008 num bombardeio colombiano contra um acampamento das Farc no lado equatoriano da fronteira.

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