Venezuela condena represália 'imperial' dos EUA sobre visto

A Venezuela condenou na quinta-feira o cancelamento do visto de seu embaixador pelos Estados Unidos como uma medida "imperialista" do governo do presidente Barack Obama, dizendo que o ato deveria ser imediatamente revogado.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

30 de dezembro de 2010 | 17h24

Em mais uma disputa entre os inimigos ideológicos, Washington retirou o visto do embaixador Bernardo Álvarez na quarta-feira em retaliação pela rejeição do presidente Hugo Chávez do enviado norte-americano a Caracas.

O diplomata Larry Palmer criticou o governo da Venezuela.

"Esta é uma nova agressão pelo Departamento de Estado", disse à Reuters Roy Daza, um proeminente membro do partido de situação que comanda o comitê de Assuntos Estrangeiros do Parlamento. "A única solução possível para os Estados Unidos é reverter a posição."

A rixa aparentemente acaba com qualquer perspectiva de reaproximação entre os governos de Obama e Chávez, que herdou o manto de Fidel Castro como o principal crítico latino-americano dos Estados Unidos.

Apesar da disputa diplomática, não há expectativas de que a Venezuela ou os Estados Unidos ameacem uma quebra de seus vínculos comerciais, principalmente de petróleo, cruciais às economias dos dois países.

Chávez bloqueou o envio de Larry Palmer depois que o diplomata acusou o governo da Venezuela de manter vínculos com rebeldes colombianos de esquerda. Ele também afirmou que a moral das Forças Armadas da Venezuela está baixo, com uma influência crescente de Cuba.

"O senhor Palmer insultou, caluniou e mentiu sem pudor em seu discurso ao Senado. Por esta razão, ele desqualificou-se como representante diplomático dos Estados Unidos na Venezuela", disse Daza em entrevista por telefone.

Daza disse que a revogação do visto mostrou que não houve nenhuma mudança real na linha dos EUA em relação ao resto do mundo.

"Mostra que a mudança do presidente dos EUA não representa uma mudança da mentalidade imperialista", disse ele.

O porta-voz Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, disse que Caracas provocou a medida.

"Dissemos que haveria consequências quando o governo da Venezuela abandonou o acordo em relação ao nosso indicado, Larry Palmer. Tomamos uma ação apropriada, proporcional e recíproca", disse Toner por e-mail à imprensa na quarta-feira à noite.

(Reportagem adicional de Patricia Rondón)

Tudo o que sabemos sobre:
VENEZUELAEUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.