Venezuela confisca dois armazéns; governo diz que artigos iam ser contrabandeados

O governo do presidente Nicolás Maduro disse nesta quinta-feira que havia assumido o controle de armazéns na Venezuela repletos de itens médicos e alimentos que “criminosos burgueses” guardavam para especulação e contrabando.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

24 de outubro de 2014 | 11h01

O governo disse que empresários e opositores ricos estão tentando sabotar a economia para derrubar Maduro, e que também buscam obter lucro com o armazenamento, manipulação de preços e contrabando pela fronteira com a Colômbia.

Críticos dizem que 15 anos de políticas fracassadas de intervenção estatal são os culpados pela falta de insumos básicos, pela alta inflação e pela aparente recessão econômica desse país exportador de petróleo. Eles acusam autoridades que enriqueceram e oficiais militares de práticas de negócios ilegais.

Maduro fez um discurso para a nação de um dos dois armazéns, no Estado central de Aragua, onde 14 milhões de seringas e dois milhões de luvas cirúrgicas estavam entre um grande estoque de equipamento médico que tinha a Colômbia como destino.

“Há equipamento médico suficiente aqui para cobrir todas as necessidades de Aragua por um ano. Esta é a burguesia criminosa. Eles vão pagar com cadeia, eu prometo”, disse Maduro, falando diante de pilhas de caixas e cadeiras de rodas.

“Os parasitas burgueses estão prejudicando a saúde do povo."

Maduro, sucessor do presidente Hugo Chávez, que morreu de câncer no ano passado, disse que os bens haviam sido trazidos com dólares obtidos da comissão estadual de câmbio e iriam ser vendidos na fronteira com a Colômbia.

O governo realizou nos últimos meses uma grande repressão contra o contrabando, incluindo o fechamento da fronteira à noite e a prisão de 1.266 pessoas.

Críticos dizem que as forças de segurança da Venezuela estão envolvidas no negócio do contrabando há anos, e que a prática não será erradicada enquanto subsídios do Estado e controles sobre moeda criarem disparidades de preço que oferecem tentadoras oportunidades.

Nos Estados fronteiriços de Zulia e Táchira, governadores também mostraram, na quinta-feira, armazéns repletos de alimentos e combustível, os quais, segundo eles, seriam destinados para contrabando.

Maduro disse que os produtos confiscados seriam distribuídos entre os venezuelanos nos próximos dias.

Tudo o que sabemos sobre:
VENEZUELAARMAZENSDESVIOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.