Venezuela convoca embaixador dos EUA por invasão aérea

Chanceler venezuelano afirma que aeronave de guerra foi detectada no espaço aéreo no último sábado

Agências internacionais,

19 de maio de 2008 | 14h18

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou nesta segunda-feira, 19, que um avião de guerra dos Estados Unidos violou no último sábado o espaço aéreo do país, e disse ter convocado o embaixador americano na Venezuela, Patrick Duddy, para dar explicações sobre o incidente.  Veja também:  Chávez afirma ter provas de invasão colombiana Segundo o ministro da Defesa, general Gustavo Rangel Briceño, a aeronave foi detectada no espaço aéreo local perto da ilha caribenha de La Orchila. Maduro anunciou que o embaixador Patrick Duddy foi chamado para tratar do incidente, supostamente ocorrido no sábado. Briceño também lhe pedirá explicações sobre a posição de altos funcionários de seu país a respeito da Venezuela As autoridades venezuelanas divulgaram a informação nesta segunda-feira, durante uma entrevista coletiva na qual demonstraram preocupação com uma suposta incursão de tropas da Colômbia na região de fronteira entre os países. O ministro de Defesa da Colômbia já negou anteriormente uma acusação venezuelana de que tropas colombianas tenham invadido o território vizinho. Respostas Depois do incidente, o Governo dos Estados Unidos declarou nesta segunda-feira, 19, que respeita a soberania da Venezuela e que averiguará a incursão de um avião militar americano no espaço aéreo venezuelano para dar as possíveis explicações. "Respeitamos a soberania da Venezuela e tenho certeza de que averiguaremos essas alegações e que lhes proporcionaremos (ao Governo venezuelano) uma resposta", observou o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, em entrevista coletiva. Pouco depois, o Departamento de Estado divulgou um comunicado no qual assinalou que "entende" que um avião militar americano, com base em Curazao, "poderia ter se desviado em uma distração para o espaço aéreo venezuelano". "Durante uma missão contra o tráfico, o piloto se deu conta de que tinha ocorrido um erro de navegação. Contatou a torre de controle para informar do erro e afirmou que ia voltar imediatamente ao espaço aéreo internacional", diz o comunicado. A conversa foi "cortês e profissional", destacou o Departamento de Estado. O Governo dos EUA assinalou, além disso, que sua embaixada em Caracas não recebeu uma comunicação oficial do Ministério de Assuntos Exteriores para que Duddy se apresente na terça-feira à reunião com o Executivo venezuelano para abordar este assunto. O comunicado não deu mais detalhes do incidente, mas um funcionário do Departamento de Defesa explicou, horas antes, a meios de imprensa locais, que o avião militar era um Viking S-3 que sofreu "problemas de vôo" durante sua missão. Os pilotos do avião S-3 afirmaram que invadiram por erro o espaço aéreo venezuelano, segundo o funcionário.As autoridades da Marinha averiguam o incidente para determinar o que realmente ocorreu. De acordo com o funcionário de Defesa, a tripulação do S-3 estava sob o controle aéreo de Curazao, mas alteraram sua freqüência para poder falar com o pessoal da torre de controle de Maiquetía, o principal do país. Devido ao "agitado" tom de voz de seu interlocutor, a tripulação se deu conta do erro que tinham cometido. O funcionário afirmou que os pilotos tiveram alguns problemas com o idioma durante a conversa de três minutos que mantiveram com o pessoal de Maiquetía. "Contestaram de maneira imediata e se identificaram como membros da Marinha que estavam em uma missão de treino em espaço aéreo internacional e admitiram que possivelmente haviam cometido um erro de navegação", de acordo com o funcionário. O S-3 envolvido no incidente dá apoio à força Conjunta Interestadual do Sul, com base na Flórida. Maduro e o ministro venezuelano de Defesa, Gustavo Rangel Briceño, afirmaram hoje que o incidente com a aeronave americana faz parte da campanha de "provocações" dos EUA para "desestabilizar" a região.  Matéria ampliada às 21h.

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