Venezuela cria nova bolsa para negociar títulos públicos

A Venezuela promulgou nesta segunda-feira uma lei que cria novo mercado para negociar títulos do governo e de empresas públicas, um alternativa que segundo analistas se transformará em nova fonte de dólares em um país com firme controle sobre o sistema de câmbio.

EYANIR CHINEA, REUTERS

15 de novembro de 2010 | 16h39

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que assinou neste fim de semana a Lei da Bolsa Pública de Valores, disse que a nova bolsa começará a funcionar em dezembro, apesar de ainda depender de regulamento técnico.

"Em dezembro deve estar pronta a Casa de Bolsa, que já tem sua sede, a nossa, a do povo, e não a do capitalismo", disse Chávez em seu programa de rádio e televisão dominical.

O mandatário proibiu em maio a negociação de títulos públicos por bolsas e sociedades de corretagem, que proviam dólares a importadores e particulares, para reforçar o sistema de câmbio vigente.

A lei não deixa claro a totalidade das funções que cumprirá a nova Bolsa, mas analistas sugerem que esta se transformará em um novo lugar para conseguir dólares, tal como ocorria com a Bolsa de Valore de Caracas.

As atividades da bolsa tradicional, que já foi uma das mais dinâmicas da região, foram se reduzindo por uma onda de nacionalizações comandanda por Chávez de empresas de setores estratégicos, como telecomunicações, eletricidade e bancário.

Na semana passada, a Superintendência Nacional de Valores, órgão regulador da nova Bolsa, autorizou a PDVZA a registrar no novo mercado uma emissão de 3 bilhões de dólares com vencimento em 2017.

A criação do novo mercado faz parte de um pacote de leis financeiras - bancárias, de mercado de valores, seguros e da economia em geral - com a quais Chávez tenta dar caráter socialista à arquitetura econômica do país, poucos meses depois das eleições legislativas, na qual os críticos do governo conseguiram um terço dos assentos na assembleia.

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