Venezuela e Colômbia celebram prisão de chefe do tráfico

Os presidentes da Colômbia e da Venezuela anunciaram nesta segunda-feira a prisão de um dos mais procurados traficantes da América Latina, em um feito citado como sinal da unidade para o combate ao crime entre governos ideologicamente antagônicos.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

28 de novembro de 2011 | 18h33

O colombiano Maximiliano Bonilla Orozco, de 39 anos, conhecido como Valenciano, foi detido na noite de domingo na localidade venezuelana de Valencia, disseram Juan Manuel Santos e Hugo Chávez durante uma reunião em Caracas.

Havia uma recompensa de 5 milhões de dólares pela captura de Valenciano, acusado de embarcar várias toneladas de cocaína para os Estados Unidos, com a ajuda de quadrilhas como a mexicana Zetas.

"Ele causou terríveis danos ao nosso país", disse o colombiano Santos. "Que coincidência que o prenderam ontem à noite, para que hoje possamos dar essa notícia magnífica ... Obrigado, presidente Chávez. Esse é um bom presente."

Enquanto o conservador Santos é o maior aliado dos EUA na região, o venezuelano Chávez é o maior líder antiamericano da América Latina. Apesar disso, os dois presidentes vêm forjando desde o ano passado uma relação pragmática, deixando para trás anos de desconfiança.

No passado, a Colômbia acusou o governo de Chávez de dar abrigo a guerrilheiros marxistas, e analistas dizem que a Venezuela passou anos pelo menos fazendo vista grossa à presença deles.

Além disso, a Venezuela se tornou um importante entreposto no tráfico de cocaína colombiana para os EUA e a Europa.

Agora, a Colômbia espera ajuda venezuelana também para localizar o novo líder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Timoleón "Timochenko" Jiménez, que supostamente se desloca pela região da fronteira.

"Jamais permitiremos a violação da nossa soberania por qualquer grupo ou pessoa, sejam traficantes, guerrilheiros ou paramilitares", disse Chávez na entrevista coletiva ao lado de Santos no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

"Faremos de tudo ao nosso alcance para impedir qualquer agressão contra a Colômbia ... Somos gratos pela colaboração franca e transparente que foi iniciada em assuntos de segurança."

Chávez disse que Valenciano foi preso portando "milhões de bolívares" (a moeda venezuelana), e que está sendo transportado para Caracas.

(Reportagem adicional de Girish Gupta)

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