Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Venezuela estuda reforma cambial em meio à queda das reservas de dólares

Prevê-se a desvalorização da taxa preferencial da moeda venezuelana em relação ao dólar, de 6,30 para 25 bolívares, informou o jornal ‘El Nacional’ com base em uma fonte; governo teria plano de subsidiar alimentos e remédios com a nova receita

O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2015 | 03h00

CARACAS - O governo venezuelano estuda uma nova reforma cambial que prevê a desvalorização da taxa preferencial do bolívar em relação ao dólar, de 6,30 para 25 bolívares, informou ontem o jornal El Nacional, crítico ao chavismo, citando uma fonte não identificada. Se confirmada, a medida será a primeira a envolver a taxa usada pelo governo nos contratos de importação estatais, que correspondem a 70% do volume de dólares negociados no país.

Com base em informações de uma “fonte extraoficial”, o jornal diz que a desvalorização foi avaliada alguns meses atrás pelo governo, mas a possibilidade chegou a ser descartada em razão da disparada da moeda americana no mercado paralelo nas últimas semanas. Ontem, ele era cotado em sites na internet a 435 bolívares.

Mas, a queda das reservas internacionais em moeda estrangeira, que segundo economistas independentes somam US$ 17 bilhões, teria feito o chavismo retomar o plano de desvalorização da moeda. Além da perda de valor do bolívar, o governo estaria estudando um plano de subsídios de alimentos e remédios, pago com o diferencial de receita criado com a desvalorização monetária.

Os últimos planos para conter o aumento desenfreado da moeda americana no mercado paralelo consistiam na maxidesvalorização de uma parte restrita do volume de dólares disponível no mercado. O Sistema Marginal de Divisas, o Simadi, criado para comprar e vender a moeda americana para pessoas físicas e jurídicas conforme a oferta e a procura, atende apenas 15% do total de dólares liquidado pelo chavismo. Os valores chegam a 200 bolívares por dólar.

A Venezuela tem um complexo sistema de bandas cambiais que envolve o dólar preferencial a 6,30 bolívares, usado nos contratos do governo e na importação de alimentos e remédios, o Sicad, a 12 bolívares, para a iniciativa privada, e o Simadi, além do câmbio paralelo.

Esse sistema foi criado após um grave desequilíbrio cambial e a expansão do gasto público terem diminuído a oferta de dólares para a importação, uma vez que o país exportador de petróleo compra de fora grande parte do que consome. Estima-se que o valor real do bolívar, com base na proporção entre o lastro de moeda forte e a base monetária, seja de 135 bolívares por dólar.

No dia 22, o dólar paralelo na Venezuela sofreu uma brusca valorização e ultrapassou a barreira dos 400 bolívares, o que levou os doleiros a interromper suas vendas ao longo do dia, em meio a boatos de que o país teria entrado em hiperinflação e um novo plano cambial seria anunciado pelo presidente Nicolás Maduro. Em 14 de maio, US$ 1 custava 300 bolívares. No começo do ano, 173 bolívares. Quando Maduro assumiu o governo, esse valor era de 24 bolívares. 

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