Venezuela explode outra ponte e prende soldado, diz Colômbia

A Colômbia disse nesta sexta-feira que soldados venezuelanos explodiram outra ponte improvisada na fronteira entre os países e detiveram um soldado colombiano que havia entrado em seu território, em incidentes que tornam ainda mais tensas as relações entre os dois governos.

PATRICK MARKEY, REUTERS

04 de dezembro de 2009 | 20h15

Os atritos começaram há alguns meses, uma disputa que afeta fortemente o comércio bilateral de 7 bilhões de dólares por ano e gera temores de um confronto violento na fronteira de 2.200 quilômetros.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dizendo-se ameaçado pela presença militar de tropas norte-americanas na Colômbia, ordenou que seus militares se preparem para uma guerra, mas nega a intenção de iniciar um conflito.

"Eles explodiram outra ponte comunitária", disse o ministro colombiano da Defesa, Gabriel Silva, a jornalistas. "Trata-se de mais um ato de agressão e violação dos direitos internacionais".

De acordo com Silva, um soldado colombiano que acidentalmente cruzou a fronteira está detido por autoridades venezuelanas. Recentemente, a Colômbia libertou soldados venezuelanos encontrados no seu território.

Caracas não se manifestou sobre as novas acusações.

No mês passado, soldados venezuelanos já haviam dinamitado duas pontes para pedestres na fronteira, alegando que eram usadas por contrabandistas. A Colômbia queixou-se do fato à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Nesta semana, o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, acusou o governo Chávez de impor um bloqueio comercial ilegal, comparável ao embargo dos EUA a Cuba. Já a Venezuela disse que a Colômbia faz uma "guerra psicológica".

Chávez e Uribe já foram considerados um "estranho casal" entre os presidentes andinos, por serem capazes de resolver disputas com abraços e apertos de mão, apesar das suas crescentes divergências políticas. Nos últimos tempos, porém, a reconciliação parece mais difícil.

A Venezuela depende fortemente de alimentos importados da Colômbia, mas Chávez tenta substituí-los por produtos do Brasil e Argentina. Só em outubro as exportações colombianas para o país vizinho despencaram 70 por cento.

Chávez diz que, instalando soldados na Colômbia, os EUA preparam a invasão do seu país. Bogotá e Washington alegam que o objetivo do tratado militar é apenas ampliar o combate a traficantes e guerrilheiros colombianos.

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